Desvendando as falácias a respeito da Inquisição

Muita coisa se fala a respeito da Inquisição. No meio dessas coisas existe muita verdade e muita mentira. E o pior é que no meio dessas mentiras, podemos perceber claramente a intenção de manipular. Para que entenda de quem eu estou falando, preciso citar uma frase:

Que mal pode haver se um homem diz uma boa e grossa mentira
 por uma causa meritória e para o bem da Igreja (luterana)?
” (Martinho Lutero)

Pois bem, vamos desvendá-las:

Jamais a Igreja, santa em seu fundador e sempre pura na sua doutrina e na sua moral, deixou de encaminhar seus filhos para a prática das mais belas e até das mais heróicas virtudes. Jamais.
Apesar disso, não deixa o cristão de ser livre. Nem a graça do batismo, nem também a do sacerdócio eliminam as propensões que o puxam para o mal. Podemos nos lembrar, que mesmo no colégio apostólico houve quem traísse o divino mestre. Além disso, ao longo do tempo houve sacerdotes, bispos e até Papas que faltaram com as obrigações do seu estado.

Mas e aí? Por causa disso, torna-se falsa a sua doutrina?
Mas nunca à Igreja foi concedido o privilégio da impecabilidade.
Portanto, fazendo uma boa analogia:
Porque existem maus médicos, não podemos dizer que a medicina não possui credibilidade.
Porque existem maus professores, não podemos dizer que a educação não possui credibilidade.
Da mesma forma, porque existem maus sacerdotes, não podemos dizer que a Igreja não possui credibilidade.

Antes de continuar, quero deixar explícito que não desejo justificar os erros cometidos pela Inquisição, mas apenas mostrar a grande lenda que, pretenciosamente, criaram a respeito dela.
Também desejo fazer a observação de que muitas pessoas criticam a Igreja dizendo que ela é “conservadora” quando condena o uso da camisinha, o aborto, pena de morte etc. Mas essas mesmas pessoas não deixam o conservadorismo de lado quando desejam citar o episódio em questão, que ocorreu a mais de 800 anos . Algo um tanto quanto incoerente, não?

Pois bem, chama-se Inquisição uma instituição com objetivo de averiguar heresias e reprimi-las. Assim definida, tomou no decorrer do tempo as seguintes formas: Inquisição episcopal, Inquisição pontifical e Inquisição espanhola.

A Inquisição episcopal e a pontifical possuem os mesmos princípios e fundamentos. Podemos então indetificá-las de forma comum chamando-as de Inquisição eclesiástica.
Mas para a Inquisição espanhola, devemos reservar um lugar especial, por se tratar de uma instituição com duplo aspecto, o civil e o eclesiástico, e conseqüentemente de responsabilidade muito distintas.

- Como surgiu a Inquisição?

Durante toda a sua existência, e assim pra sempre será, vê-se a Igreja obrigada a combater a heresia. Sendo os bispos, naturalmente encarregados de zelarem pelo tesouro da fé.

No começo do cristianismo, eram as penas espirituais as que se empregavam, especialmente a excomunhão. Da legislação civil é que depois vieram as penalidades temporais. Os imperadores cristãos começaram a impor pelos seus códigos penas severas contra as heresias, equiparando-as a crimes de lesa majestade, e chegando a punir com pena de morte.
Não eram esses os pedidos de punição dos chefes da Igreja. E a maioria dos Santos Padres (S. Ambrósio, S. João Crisóstomo e S. Martinho entre outros), mostravam-se explicitamente contrários. Santo Agostinho, inclusive, deu o seu parecer admintindo que se usasse com os hereges a luta comedida, por meio de multas contra eles e do exílio contra os cabeças; mas protestou sempre contra a pena de morte.

Por fins do século XII, a heresia começou a se propagar com uma rapidez assustadora, colocando em risco a fé dos povos e a ordem social constituída. Obrigando os chefes da Igreja, em conjunto com os príncipes cristãos, tomarem uma série de precauções mais severas contra aqueles hereges.

Então, o Papa Gregório IX, para atalhar a perversidade herética, fundou a Inquisição. O imperador Frederico II pouco se preocupava com os interesses da Igreja, mas como via os perigos das novas idéias anti-sociais e as desordens que ameaçavam a paz dos seus estados, tomou a frente e, em 1220, formulou uma série de constituições, que muito agravavam as penas da Inquisição impostas aos hereges, que haviam sido criadas no Sínodo de Verona.

Porém, por temer que o poder civil tomasse o lugar do poder religioso em julgar pelos delitos que faziam parte unicamente da alçada da Igreja, Gregório IX tomou a dianteira; aprovou os estatutos imperiais de Frederico II e tratou de colocá-los em prática. Desta forma, a sua alçada estendia-se não apenas, como a dos bispos, a de uma diocese, mas a regiões inteiras.

Foi então, que propriamente falando, a Inquisição começou a desempenhar seu papel por meio de tribunais, distintos dos episcopais, com jurisdição direta do Papa e com os processos especiais, tomados das leis de Frederico II.

Esses processos eram muito rigorosos. Mas é falsa a afirmação de que os denunciados levados ao tribunal da Inquisição ficassem de todo entregues ao arbítrio de seus julgadores. Além de existirem penas espirituais e corporais impostas às falsas testemunhas, devia o inquisidor aconselhar-se com homens prudentes e membros do foro diocesano, tidos como boni viri (o que hoje chamamos jurados).
Eram os acusados, permitidos de acrescentar testemunhas que, sob juramento, defendesse a ortodoxia que se punha em dúvida. O inquisidor não podia dar a sentença sem primeiro ouvir o parecer do prelado diocesano.
Nem a tortura era permitida, caso existisse risco de morte. E só foi empregada em casos extremos, segundo se averiguou, foram realmente muito raros.
Além disso tudo, facultava-se sempre a apelação para o Papa.

As principais penas impostas pelos inquisidores eram:
– multas;
– contribuições para obras pias;
– peregrinações;
– servir na Cruzada durante um certo tempo;
– trazer no fato umas cruzinhas, que perante os fiéis assinalassem o herege  arrependido ou absolto e
– a flagelação em determinadas ocasiões.

As penas maiores, reservadas aos hereges obstinados ou pouco sinceros e pouco sólidos na sua conversão eram:
– o cárcere durante um certo tempo ou por toda a vida;
– a confiscação dos bens em proveito do fisco e
– a entrega deles ao braço secular.

Esta última pena, tinha como resultado o suplício de fogo, e só era imposta aos obstinados e principalmente relapsos. O condenado era levado para fora da Igreja, para um estrado levantado na praça pública, e lá o entregavam aos oficiais civis. O suplício de fogo só se efetuava no dia seguinte, para que o condenado pudesse ainda reconsiderar e entrar em si, pela noite adiante.
Se durante a fogueira fizesse a abjuração dos seus erros, era devolvido à Inquisição, e assim se livrava da morte; exceto se fossem relapsos, porque na segunda abjuração não escapavam do fogo.

Prestou-se a Inquisição eclesiástica, de que acabei de falar, a atos dignos de censura, como geralmente acontece com as instituições humanas. Tornaram-se verdadeiras iniqüidades certos processos, e as queixas por causa das violências praticadas pelos inquisidores chegaram a Roma e causaram muito desgosto ao Papa Clemente V, que, em 1306, nomeou uma comissão composta de vários cardeais para irem averiguar o que havia de verdade nestas queixas.
Bastariam só as muitas cartas dos Papas aos inquisidores a relembrar-lhes as suas responsabilidades, para demonstrar que realmente vários deles e, sobretudo, os seus subalternos tinham incorrido em culpas graves.

Pode e deve um católico, censurar os excessos, mas não deve o católico envergonhar-se de sua história, que é bela, que é grandiosa. Não deve ceder em face dos ataques dos que, ignorando de todo a nossa história, repetem e propagam “lendas negras”, criadas com o fim declarado de subverter nossa Fé e nosso amor à Santa Madre Igreja.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por fim, gostaria de dizer que os abusos cometidos pela Inquisição, não são de nenhum modo um fruto dos princípios professados pelo cristianismo, e estão em completa oposição com o seu espírito. Aliás, foram de fato severamente censurados pelos Sumo Pontífices todas as vezes que deles tinham notícia.

Outro fato que nunca (eu disse NUNCA) é citado pelas pessoas que criticam a Inquisição, é que a mesma foi instituída para combater o catarismo, que defendia a tese de que a mulher, por permitir a perpetuação da humanidade, através da geração, era um ser nocivo. Os cátaros eram contra a procriação e contra o matrimônio, considerando possessas as mulheres grávidas. Defendiam também o suicídio por inanição. A vitória do catarismo seria a extinção da humanidade.

Portanto, a Igreja, deixando todos estes fatos livres à apreciação dos historiadores, deseja que este assunto se trate com uma serena imparcialidade e um são critério.

Quero lembrar, que aquela era uma época de Império, época do imperador-deus (imperador que se julgava deus), não sendo os suplícios unica e exclusivamente praticados pela Inquisição.

Peço que quando vierem declamar contra as torturas da Inquisição, não ignorem (ou fingam ignorar) que este meio de se descobrir a verdade estava presente em todos os tribunais da Europa.
Note-se, além disto, que foi a Inquisição a que primeiro renunciou à tortura, e muito antes dos outros tribunais da Europa. E, além disto, nunca ela permitiu, como permitiam os tribunais civis, se recorresse várias vezes a ela durante o mesmo processo; e exigia sempre a presença do médico para verificar o momento em que a vida do supliciado começasse a correr perigo.

Enfim, não possuo dificuldade em confessar que realmente houve numerosos abusos. Mas gostaria que também os alemães, antes de condená-la, condenasse também os abusos do holocausto de Hitler, que também condenou católicos. Gostaria que os ingleses reconhecessem a pouco falada crueldade praticada por Isabel I (conhecida no Brasil como Elizabeth I), que mais gente matou num só ano do que a Inquisição durante toda a sua existência. Gostaria que os protestantes reconhecessem que muito mais violenta foi por toda a parte a intolerância dos protestantes contra os católicos na chamada Inquisição protestante; pouco conhecida, pouco falada. Gostaria que se lembrassem das toturas de Cuba, no século passado.

Durante 100 anos, em Toulouse (maior centro de hereges da Idade Média), apenas 42 pessoas foram levadas ao suplício de fogo.

O Papa João Paulo II pediu desculpas ao mundo. Mas não me lembro de nenhum representante citado acima ter se desculpado…

Reconhecer os próprios erros, é antes de tudo, declarar que somos falhos, e por isso precisamos de um ser superior conhecido como DEUS.

Que Deus tenha misericórdia de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna!

7 Respostas

  1. Amigo, não tente tapar o sol com a peneira, não sou protestante mas negar a Inquisição ou tentar atenuar é dificil pois o JESUS da BIBLIA condenou qualquer atitude nossa que fosse feita com AMOR e se só um tivesse sido TORTURADO e MORTO ja seria suficiente para Jesus não estar nesse negócio. E os papas estavam cientes e concientes do que ocorria, inclusive durante a escravidão e o nazismo. O IGREJINHA Pecadora essa, e o pior é que tem quem a defenda.

  2. Trindade,
    Pelo visto, você não leu o tópico inteiro. Se é que começou a lê-lo.
    Meu objetivo não é “tapar o sol com a peneira” e “negar a Inquisição”, como você erradamente concluiu.

    Meu objetivo foi tornar explícito os erros que muitos comentem quando falam sobre ela, por falta de conhecimento.
    Se tivesse lido o texto, iria ter percebido que não possuodificuldade em assumir que houve erros na Inquisição. Mas esses erros não são como pintam por aí…
    Se você conhecesse sobre Jesus, certamente iria se lembrar da ocasião em que o mesmo, com autoridade, expulsou as pessoas que praticavam o comércio no templo. Aliás, fez isso com um chicote nas mãos, feito por Ele mesmo.

    Forneci dados suficientes pra que você saiba que os Papas não estavam de acordo com os excessos.
    “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mc 4, 9)

    Aliás, você é protestante e não percebeu isso…

  3. como pesquisadora da inquisição e conduzida por uma ótica feminina, aconselho a leitura de malleus maleficarum e de a feiticeira (de jules michelet) só para um início.

    não há nada nesse planeta que possa atenuar a realidade que a mulher enfrenta na religião. eu sou cristã e “fã” do cristo. é ele o meu amor e a minha vida, sempre. ELE me ama e nunca, jamais a igreja, seja ela qual for.

    a instituição religiosa estava na mão dos homens (não do ser humano, mas do homem gênero masculino), e a ele apeteceu mutilar e desgraçar sua semelhante. Jesus disse: quem não tem pecado atire a 1ª pedra. mas ele é Deus. o que podemos esperar do homem, esse antropóide retrógrado? sede de sangue. e só. e assim, ele joga para trás das costas o exemplo do cristo que ele faz de conta de respeita.

    o homem que tenha “poder” e não o use para pecar contra a mulher será uma excessão nesse mundo, creiam-me.

    o inquisidor tinha o poder, e era misógino (desvio de conduta que o celibato compulsório impunha). é impossível achar UMA desculpa para uma mulher ser brutalizada e torturada até a morte. e ainda que fosse uma pecadora ou bruxa, ser brutalmente estuprada, mutilada, humilhada, cortada, perfurada, queimada… olhem! acordem! isso não é prova alguma de tentativa de salvação de alma!!! é pura loucura fanática e depravada!

    não comento a inocência dos papas.

    leiam as duas sentenças:
    1. cristo açoitou vendilhões no templo.
    2. “jesus e sua comitiva assassinaram centenas de vendilhões só naquele dia, com uma série de apetrechos metálicos que pudessem potencializar a dor e o esmagamento de órgaos, queimou-os vivos e tinha no semblante uma expressão de piedade.”
    E qual das duas descrições está na Bíblia?

    entenderam agora?

  4. Ane,
    Não sei por que motivo uma pessoa se auto-intitularia “estudioso(a) da inquisição”.
    Os fatos estão expostos, qualquer um pode conhecê-los, sem necessariamente ser um “estudioso”.
    Aliás, desculpe-me, mas você não me pareceu uma “estudiosa da inquisição”.

    Digo isso porque seus argumentos não estão de acordo com o acontecimento em si.
    Como eu disse no texto, a inquisição combatia o catarismo, que julgava a mulher um ser nocivo.
    Além disso, você ignora o fato de que existem três definições diferentes para as diferentes inquisições que ocorreram: a episcopal, a pontifical e a espanhola.
    No texto eu comento apenas a respeito da episcopal, que possuía os mesmos princípios da pontifical.
    Deixei de comentar a respeito da espanhola por essa ter tido características diferentes, fugindo do ponto de vista da Igreja. (também comentei isso no texto)

    Com relação ao seu comentário a respeito da questão de “a religião estar nas mãos do homem”, gostaria de fazê-la observar que esta é uma questão cultural, e não religiosa. Sendo assim, além de estar fora do foco deste blog, trata-se de uma revolta oriunda de seu orgulho ferido feminista.

    Sugiro que estude a respeito da Inquisição.
    Não sei se você sabe, mas um dos autores de “malleus maleficarum”, que se chama Heinrich Kramer, foi condenado pela inquisição em 1490. Motivo: seus pensamentos não estavam de acordo com a doutrina católica.

    Deus te abençoe e ilumine seus estudos.
    Paz e bem!

  5. é interessante comos estes protestantes acham que eles são santos…um falou sobre a escravidão como se os países protestantes com colonias mundo afora pedissem licença para “tomar” as novas terras…os ingleses protestantes quando “descobriram ” a américa exterminaram várias tribos indigenas em nome de Deus e de seus líderes protestantes…bush, protestante, hoje diz: Deus salve a America….e tome bomba no Iraque….Mt 16,18 e Jo21,17 diz tudo sobre A IGREJA DE JESUS…o resto é obra do inimigo, travestido de PROTESTANTE!!!!!!!

  6. A história da Igreja começa com a invenção do cristo que é apenas um mito antigo, hoje muitos estudos mostram a grande mentira da Igreja e suas barbaridades são apenas frutos dessa mentira inicial. Vemos atualmente um grnade momento que o inicio do fim da Igreja Catolica, diminuição dos fiéis, das vocações, igrejas sendo vendidas por estarem vazias, a igreja vendendo patrimonio para arrecadar dinheiro e ate fazendo CD para vender. A verdade vos libertara do cristianismo, pois nada se constroi com mentiras por mais bonitas que sejam, o cristão defendem apenas a sua segurança psicologica na sua fé, pois não existe prova nenhuma que cristo tenha existido e hj se sabe que a história do mito do salvador foi contada em dezenas de tradições anterores a era cristã.

  7. Ike,
    Apesar de seu comentário fugir totalmente do assunto do tópico, eu achei ele tão interessante que resolvi, não só deixá-lo aqui, como comentar a respeito dele.
    Pois bem, em seu comentário, podemos ver que muita coisa começa a existir a partir da criação de um mito. E o que você acabou de inventar é o de que a Igreja começa com a invenção do Cristo que é apenas um mito.
    Então, partilhe conosco seu estudo, divulgue aqui os “muitos estudos” que mostram a “grande mentira” da Igreja
    Divulgue aqui o nome e a diocese das igrejas que estão sendo vendidas por estarem vazias, ou o patrimônio que está sendo vendido pela Igreja
    Meu caro, como você mesmo disse: “nada se constrói com mentiras”
    Seu comentário não passa de mais um mito…

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