Descobrindo a Quaresma

Convertei-vos e credes no Evangelho!” (Mc 1,15)

Na quarta-feira de cinzas, demos início ao Tempo de Quaresma. Este tempo toma o seu lugar de quarenta dias no ano litúrgico, entre o Tempo Comum e o Tempo Pascal.

Quaresma é tempo de reflexão, de conversão, de caridade, de penitência e, claro, de oração. Momento de nos aproximarmos intimamente de Cristo, através da memória dos quarenta dias em que passou no deserto.

Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde foi tentado pelo demônio durante quarenta dias. Durante este tempo ele nada comeu e, terminados estes dias, teve fome.” (Lc 4,1-2)

Momento oportuno de abdicarmos de alguma coisa da qual gostamos e oferecermos este sacrifício a Deus. Uma prática comum entre cristãos antigamente, e de alguns ainda hoje, era o jejum de carne. Hoje, adaptada para diversos tipos de “jejum”, seja de refrigerante, de sorvete, de chocolate, de televisão, de videogame…

Sacrifícios à parte, tomemos cuidado para não deixar de lado a oração. Como escreve-nos São Lucas “Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto“.
Portanto, façamos as nossas orações invocando o Espírito Santo, para que, cheios desse Espírito, assim como Cristo, sejamos levados ao nosso deserto quaresmal e desfrutemos da graça que é passar pelos quarenta dias seguindo retamente nosso propósito (jejum, abstinência…).

É importante reparar que, São Lucas complementa dizendo “Durante este tempo ele nada comeu e, terminados estes dias, teve fome“.
Ou seja, Jesus permaneceu quarenta dias no deserto sem nada comer e não sentiu fome porque estava cheio do Espírito Santo! Apenas após terminados os dias, é que Ele sentiu fome.

Esse é o recado para nós: com a ajuda do Espírito Santo, somos capazes de superar qualquer sacrifício em nome de Deus. Através da mensagem de São Lucas podemos perceber que o sacrifício não deve se tornar sinônimo de sofrimento. Se o seu propósito for deixar de comer algo, deixe de comer algo sem precisar passar fome. Pois, caso o seu sacrifício seja deixar de comer chocolate, por exemplo, mas durante cada dia da Quaresma você passa por um sofrimento enorme porque quer comer chocolate; no final você pode até conseguir ter ficado sem comê-lo, mas sua atenção esteve o tempo todo voltada exclusivamente para o chocolate, e não para Deus. Podendo até chegar a ficar torcendo para a Quaresma acabar e poder comer chocolate do que pra celebrar a Páscoa.

Para ajudar a evitar que isso aconteça, é um convite a todos nós termos como “propósito extra” fazermos uma via-sacra, pelo menos uma vez por semana, de preferência às sextas-feiras (dia da semana em que ocorreu a Paixão de Cristo). Procure saber na sua Paróquia se existe algum roteiro por escrito (caso não exista, pesquise na internet) e, sozinho(a) siga este roteiro, no interior do templo, contemplando cada estação e fazendo suas orações.

Enfim, é meu desejo que você tenha uma boa quaresma, com a presença do Espírito Santo, a fim de se preparar para a comemoração do ápice da vida cristã: a Páscoa. E que no final, o seu sacrifício se torne louvor.

Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas se pelo Espírito, mortificardes as áreas do corpo, vivereis.” (Rm 8,13)

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