Desvendando os enganos a respeito da Exortação “Sacramentum Caritatis”

Apesar de estar quase sem esperanças, finalmente encontro um jornalismo sincero, verdadeiro, que busca a informação e se preocupa em passá-la íntegra.

Há poucas horas, tive a oportunidade de, enquanto assistia o jornal do SBT com Carlos Nascimento e Cíntia Bellini, testemunhar o verdadeiro compromisso com o telespectador. É sabido que o jornalismo da referida emissora não é seu “carro-chefe”, mas são fatos como esse que me levam a acreditar que mais vale sinceridade e profissionalismo do que orçamentos milionários e estrelismo.

Enquanto a globo se preocupa em “jogar” a notícia, gerar polêmica, aumentar a audiência e, conseqüentemente garantir o ($$$), o SBT se preocupou em correr atrás dos fatos.

Pois bem, muita polêmica foi gerada em torno da Exortação Apostólica de Bento XVI chamada “Sacramentum Caritatis“. Eu fiz um comentário neste blog a respeito desta polêmica.

O fato gira em torno da seguinte afirmação: “Trata-se de um problema pastoral espinhoso e complexo, uma verdadeira praga no ambiente social e contemporâneo que vai, progressivamente, corroendo os próprios ambientes católicos“. (O texto na íntegra pode ser encontrado no site do Vaticano )

A confusão se dá porque o texto foi traduzido de forma incorreta para a língua portuguesa. Dando um sentido diferente do real.

Em latim (língua em que foi escrito): “Agitur de quaestione pastorali ardua et complicata, vera quadam plaga hodierni contextus socialis, quae ipsas provincias catholicas crescente transgreditur modo.”

Acontece que ao ser traduzido para português, a palavra plaga do latim deveria se transformar em “chaga” (ferida) em português. Ao invés de praga, forma como foi traduzida
Muitas pessoas que são divorciadas se sentiram ofendidas. Mas ficou claro que ocorreu um erro quando da tradução, amenizando um pouco o sentimento de contrariedade das pessoas que vivem em segunda união estável.

Além disso, mesmo se tivesse sido escrita a palavra praga, não haveria motivo para tal chateação. Pois o Papa se refere ao divórcio, e não ao divorciado.
Ao continuar lendo o texto, podemos ver que depois ele se refere aos divorciados diretamente dizendo: “Todavia os divorciados re-casados, não obstante a sua situação, continuam a pertencer à Igreja, que os acompanha com especial solicitude na esperança de que cultivem, quanto possível, um estilo cristão de vida, através da participação na Santa Missa ainda que sem receber a comunhão, da escuta da palavra de Deus, da adoração eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária, do diálogo franco com um sacerdote ou um mestre de vida espiritual, da dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do empenho na educação dos filhos.

Portanto, sintam-se todos acolhidos!

Uma outra observação que eu gostaria de fazer é referente a seguinte afirmação:
O Papa está determinando que se volte a celebrar missas em latim

Ora, quem faz tal afirmação, demonstra que não leu o documento. Já vieram até me dizer que já começaram a celebrar Missa em latim por aqui…
Mas, se formos buscar a informação como ela verdadeiramente é, poderemos ler no documento que o Papa recomenda que nas celebrações internacionais seja priorizada a língua latina, de forma a acolher a todos ingualmente. Pois caso se escolha determinada língua pra se fazer uma celebração internacional, seja esta língua o italiano, o inglês, o português, o alemão, entre outras; tal escolha irá prejudicar as outras pessoas que estiverem presentes na celebração mas que não dominam determinada língua.
Desta forma, fixando o latim como língua oficial, todos estarão em igualdade de situação, e todos deverão objetivar a unidade da celebração, buscando saber o latim.

O documento diz:
61. A assembleia sinodal deteve-se a analisar a qualidade da participação nas grandes celebrações que têm lugar em circunstâncias particulares e nas quais se encontram, para além dum grande número de fiéis, também muitos sacerdotes concelebrantes.(181) É fácil, por um lado, reconhecer o valor destes momentos, especialmente quando preside o bispo rodeado do seu presbitério e dos diáconos; mas, por outro, em tais ocasiões podem verificar-se problemas quanto à expressão sensível da unidade do presbitério, especialmente na Oração Eucarística, e quanto à distribuição da sagrada comunhão. Deve-se evitar que estas grandes concelebrações criem dispersão; providencie-se a isto mesmo por meio de adequados instrumentos de coordenação, e organizando o lugar de culto de tal modo que permita aos presbíteros e aos fiéis uma plena e real participação. Entretanto, é preciso ter presente que se trata de concelebrações com índole excepcional e limitadas a situações extraordinárias.

62. O que acabo de afirmar não deve, porém, ofuscar o valor destas grandes liturgias; penso neste momento, em particular, às celebrações que têm lugar durante encontros internacionais, cada vez mais frequentes hoje, e que devem justamente ser valorizadas. A fim de exprimir melhor a unidade e a universalidade da Igreja, quero recomendar o que foi sugerido pelo Sínodo dos Bispos, em sintonia com as directrizes do Concílio Vaticano II: (182) exceptuando as leituras, a homilia e a oração dos fiéis, é bom que tais celebrações sejam em língua latina; sejam igualmente recitadas em latim as orações mais conhecidas (183) da tradição da Igreja e, eventualmente, entoadas algumas partes em canto gregoriano. A nível geral, peço que os futuros sacerdotes sejam preparados, desde o tempo do seminário, para compreender e celebrar a Santa Missa em latim, bem como para usar textos latinos e entoar o canto gregoriano; nem se transcure a possibilidade de formar os próprios fiéis para saberem, em latim, as orações mais comuns e cantarem, em gregoriano, determinadas partes da liturgia.(184)

Isso é muito bom!

Portanto, as Missas em nossas cidades continuarão sendo celebradas em língua local. E assim sempre será. Mas em eventos internacionais, pra garantir a universalidade da Igreja de forma que todos se sintam acolhidos, algumas partes da celebração será feita em latim e alguns cantos em gregoriano, para atingir a totalidade dos fiés que serão preparados pela Igreja.

Isto é totalmente o contrário do que pessoas pretensiosas desejam, com suas afirmações falsas, criando um clima de desconforto entre os divorciados e os católicos em geral. Por isso é necessário buscar o conhecimento. Não se deixe enganar pela TV, e muito menos por quem não entende nada sobre a Igreja.

As Missas locais continuarão sendo celebradas nas línguas locais. O divórcio sempre foi, é e sempre será uma ferida na sociedade. Mas os divorciados que sofrem desse mal são totalmente acolhidos pela Igreja, “que os acompanha com especial solicitude na esperança de que cultivem, quanto possível, um estilo cristão de vida, através da participação na Santa Missa ainda que sem receber a comunhão, da escuta da palavra de Deus, da adoração eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária, do diálogo franco com um sacerdote ou um mestre de vida espiritual, da dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do empenho na educação dos filhos.

Estejamos atentos e tomemos cuidado com as falsas afirmações!
(Obrigado SBT, pelo jornalismo sério e profissional)

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Uma resposta

  1. Olá!!
    Achei muito bom o que escreveu, não tive oportunidade de ver a materia do SBT, eu não costumo ver os jornais, sou desinformado do que acontece no mundo, simplesmente porque cansei de ver sempre as mesmas noticias, parti pr’um campo, onde eu faço a noticia, onde não darei as costas pras coisas ruins que acontecem, mas não ficarei passivo diante delas.
    Eu acharia maravilhoso que as missas fossem celebradas em latin, é uma lingua realmente muito bonita… e a forma com que eles cantam ela durante a missa Tridentina, é linda…
    De uma forma pratica, e cômoda, eu diria, o Papa tem razão, as pessoas não têm o interesse em aprender o latin, e certamente ficariam “boiando” sem entender nada do que estava sendo dito, antes de pensar em aprender a lingua, em descobrir.
    Não posso dizer que estão erradas, as pessoas em geral foram acostumadas a reclamar quando algo é mudado… é difícil demais se acostumar com regras novas… principalmente quando se é exigido um minimo de esforço.
    Otima materia.
    Obrigado pela informação.

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