Ciência não consegue explicar criação

O papa Bento XVI, que pela primeira vez desde que assumiu como pontífice elaborou suas visões sobre a evolução, afirmou que a ciência estreitou a maneira como as origens da vida são entendidas e que os cristãos deveriam adotar uma posição mais ampla em relação à questão.

O papa afirma também que a teoria darwinista da evolução não pode ser provada completamente porque as mutações ao longo de centenas de milhares de anos não podem ser reproduzidas em laboratório.

Mas Bento XVI, cujas declarações foram publicadas nesta quarta-feira na Alemanha, no livro “Schoepfung und Evolution” (Criação e Evolução), elogiou o progresso científico e não endossou as visões criacionista ou de “design inteligente” sobre a origem da vida.

Estes argumentos, propostos principalmente por protestantes conservadores e derivados de cientistas, provocam batalhas sobre o ensino da evolução nos Estados Unidos. Alguns cristãos europeus e turcos muçulmanos reproduziram recentemente estas visões.

“A ciência abriu grandes dimensões da razão…e por isso nos trouxe novas percepções”, disse o papa, ex-professor de teologia, em um seminário fechado com seus antigos estudantes de doutorado em setembro, documentado pelo livro.

“Mas na alegria com a amplitude de suas descobertas, tende a nos afastar das dimensões da causa que ainda precisamos. Seus resultados levam a questões que vão além de suas regras de método e não podem ser respondidas dentro dele”, disse. “O tema está retomando uma dimensão de causa que perdemos”, afirmou, acrescentando que o debate da evolução trata na verdade “das grandes questões fundamentais da filosofia de onde vieram o homem e o mundo e para onde estão indo.”

O “design inteligente” argumenta que algumas formas de vida são complexas demais para terem evoluído ao acaso, como Charles Darwin propôs em seu livro de 1859 “A Origem das Espécies”. A teoria afirma que uma inteligência maior deve ter feito isso, mas não a menciona como Deus.

No livro, Bento XVI defende o que ficou conhecido como “evolução teísta”, a visão das igrejas Católica Romana, Ortodoxa e Protestante de que Deus criou a vida através da evolução e que religião e ciência não precisam confrontar-se por isso.

Ele argumenta que a evolução tem uma racionalidade que a teoria de seleção puramente aleatória não consegue explicar. “O processo em si é racional, apesar dos erros e da confusão quando passa por um corredor estreito, escolhendo algumas poucas mutações positivas e usando baixa probabilidade”, disse.

“Isso…inevitavelmente leva à questão que vai além da ciência…de onde vem esta racionalidade?”, pergunta. Em resposta à própria questão, ele afirma que vem da “razão de criação” de Deus.

 Fonte: Reuters

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Uma resposta

  1. Muitas pessoas sabem que a teoria da evolução química tem uma falha intransponível, ou seja, a experiência de Pasteur. Por ela, ficou demonstrada que não existi a ABIOGÊNESE e para que a teoria da evolução química fosse cientificamente possível deveria ter existido no passado pelo menos uma ABIOGÊNESE.

    O dia que um cientista conseguir fazer uma ABIOGÊNESE em laboratório, aí sim eu acredito que a teoria da evolução química seria, ao menos, possível. Em termos práticos, os cientistas estão parados na experiência de Miller. A experiência de Miller não afasta a criação assim como um processo automático numa indústria não afasta o fato de que foi um homem que projetou e executou as instalações daquela indústria.

    Parece-me que os cientistas não conseguirão afastar a crença que o Universo foi sim criado pelO Eterno através do poder espiritual dEle.

    José da Silva

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