Até logo, Bento XVI!

Bento XVI deixa o Brasil com palavras de afeto e agradecimento a todas as demonstrações de entusiasmo e alegria.
Visivelmente feliz com os resultados de sua primeira visita pastoral a esta país, Sua Santidade dirigiu ao povo as seguintes palavras (entre outras):
“Ao deixar esta terra abençoada do Brasil, eleva-se na minha alma um hino de ação de graças ao Altíssimo, que me permitiu viver aqui horas intensas e inesquecíveis”

Um dos Papas mais cultos que a história da Igreja já viu, Bento XVI, alemão por origem, logo deixou de lado os traços, em geral, característicos de sua nacionalidade distribuindo diversos sorrisos e gargalhadas.

Logo após a sua partida do Brasil, eu já começo a escutar diversas pessoas dizendo que mudaram o seu pensamento a respeito do Papa.
Eu diria que não foi bem isso que aconteceu.
Se você também está dentro deste grupo que “mudou seu pensamento” a respeito do Papa, eu te digo: Não, não foi você que mudou seu pensamento a respeito do Papa, mas sim, o Papa mudou o pensamento que a imprensa quis que você tivesse a respeito dele.

Posso me lembrar claramente, quando há dois anos atrás, logo ao final do Conclave, a imprensa começou a divulgar notícias contra Bento XVI, tentando fazer uma ligação inútil entre ele e o nazismo.
Também posso me lembrar claramente de como a imprensa criava uma ambiguidade proposital nas palavras do Papa, seja quando ele fez uma referência ao islã seja recentemente quando ele fez referência ao divórcio.

Não, não foi você que modificou o seu pensamento a respeito do Papa, mas simplesmente você teve a oportunidade de escutar por você mesmo o que Sua Santidade tem a dizer, sem distorções, sem falsas interpretações.

E assim, este homem de 80 anos, de saúde e disposição admiráveis, que passou duas décadas debruçado sobre livros, tornando-se um dos maiores teólogos do nossos tempos, encontrou uma oportunidade de ter um canal direto com você.

Estando no Brasil, demonstrou-se claramente comovido, “quebrando o protocolo” por diversas vezes como diz a imprensa.
Ora, não existe protocolo entre um pai e seus filhos, não existe protocolo entre um pastor e suas ovelhas, assim não existe protocolo entre o Papa e os fiéis.
Acenou por diversas vezes da sacada do Mosteiro, abaixou os vidros da janela do Papa-móvel, partiu de Papa-móvel de Aparecida ao saber que diversos fiéis ainda o esperavam passar, interrompeu por diversas vezes seus discursos para escutar o coro da multidão.

Multidão esta, que teria sido inferior ao número esperado segundo diversos jornais, principalmente um da argentina.
O jornal inclusive cita que um dos públicos que ficou inferior ao esperado foi o do Pacaembu. Ora, acredito que ele não saiba que foram distribuídos um número limitado de ingressos…
Tenho que dizer que isto é o menos importante. Conheço diversas pessoas que gostariam de ter ido e não puderam, e como essas devem existir milhares, milhões. (Imprensa, importante é a qualidade e não a quantidade. Aliás, estou aguardando o dia em que poderei desfrutar de jornais de qualidade)

Através de sua forma de se expressar contundente e objetiva, Bento XVI usou, como sempre, de seus discursos sofisticados, característicos de um homem de sua inteligência, através de um português claro e bem falado.

Bento XVI é sim, tão carismático quanto João Paulo II. Porém, seu carisma não está nos gestos e atitudes, mas sim nas palavras.
Bento XVI é objetivo como a verdade.

Até logo, querido Papa.

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