O perigo do abandono às confissões religiosas

O governo e parte da sociedade falham gravemente por sua falta de compreensão da religião. Os constantes debates referentes a diversos pontos moralmente inaceitáveis que são levantados por grupos minoritários, por sua vez de interesses particulares, são unicamente apoiados pela falta de senso religioso da sociedade laica.

Por exemplo, no dia 6 de junho, o periódico Catholic Herald publicava que a agência de adoções da diocese de Salford está a ponto de fechar, devido à lei que exige entregar crianças em adoção a pares do mesmo sexo.
A Catholic Children’s Rescue Society proporciona serviços de adoção desde sua fundação, em 1886.

«O governo lamentará o dia em que perseguiu esta linha de ação. É um ataque laicista contra a Igreja Católica», afirmava Jim Dobbin, membro do parlamento por Heywood e Middleton.

O arcebispo de Westminster, cardeal Cormac Murphy-O’Connor, também falou há pouco sobre o tema dos valores religiosos e a sociedade laica. Em um discurso na catedral de Westminster, pediu que se melhore o diálogo entre crentes e não crentes.
O cardeal comentava que, na Grã-Bretanha de hoje, há um considerável vazio espiritual, com gente que está em uma espécie de exílio de qualquer experiência de fé.

O primeiro mandamento de amar a Deus está ligado com o segundo de amar nosso próximo. Acrescentava o prelado que claramente o cristianismo se orienta para a implicação pública e faz sentir sua presença na sociedade.
«Nossa vida em comum na Grã-Bretanha não pode ser uma área livre de Deus e não devemos permitir que a Grã-Bretanha se converta em um mundo privado da fé religiosa e de sua poderosa contribuição ao bem comum», sustenta o arcebispo de Westminster.

Em parte, os intentos de marginalizar o cristianismo vêm da incapacidade de alguns para enfrentar a idéia de que o cristianismo possa ser inteligente e não nos separa da pesquisa racional. De fato, a tradição católica, explicava o cardeal Murphy-O’Connor, caracteriza-se pela relação próxima entre a compreensão racional e a fé religiosa.
Ele defendia que, ainda que a fé cristã não se baseia nas conclusões da razão, é compatível com o pensamento racional.

Bento XVI comentava a importância da fé em um mundo secularizado em seu discurso de 29 de maio aos bispos italianos reunidos em assembléia geral. É necessário, insistia o pontífice, resistir às pressões que consideram a religião, e em especial o cristianismo, como um assunto unicamente privado.
«As perspectivas que surgem de nossa fé podem dar uma contribuição fundamental ao esclarecimento e solução dos maiores problemas sociais e morais da Itália e da Europa de hoje», comentava o Papa.
Fez referência à importância do trabalho da Igreja em áreas como a educação e a família, em um momento em que a sociedade está marcada por um agressivo relativismo que debilita as esperanças que surgem dos valores e das certezas da fé.

Bento XVI recomendava que a Igreja na Itália siga com seus esforços no meio de uma «cultura que põe Deus entre parênteses e desalenta qualquer opção verdadeiramente comprometedora e, em particular, as opções definitivas, para privilegiar, em contrapartida, nos diversos âmbitos da vida, a afirmação de si mesmos e das satisfações imediatas».
O Papa concluía dizendo que a Igreja tem perante si a oportunidade de entrar no debate público sobre as preocupações da sociedade moderna no espírito de sincera comunhão. Uma comunhão que só pode enriquecer a sociedade em seu conjunto se as elites que governam estiverem dispostas a deixar lugar ao cristianismo na arena pública.

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