Didaqué – manual litúrgico

Ser cristão é, antes de tudo, ir à Missa. Isto é verdade desde o primeiro dia da Nova Aliança. Algumas horas depois de ressuscitar, Jesus pôs-se à mesa com dois discípulos. “Ele tomou o pão, pronunciou a bênção, partiu-o e lhes deu. Então os seus olhos se abriram… eles o haviam reconhecido na fração do pão.” (Lc 24, 30-31.35)

A centralidade da Eucaristia está evidente também na descrição que os Atos dos Apóstolos fazem da vida na Igreja primitiva: “Eles eram assíduos aos ensinamentos dos apóstolos e à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações.” (At 2, 42). Em [1 Cor 11] encontramos um verdadeiro manual de teoria e prática litúrgica, revelando uma grande preocupação em transmitir a forma exata da liturgia nas palavras: “de fato, eis o que eu recebi do Senhor e o que vos transmiti” e ressalta a importância da doutrina da presença real do corpo e sangue na eucaristia, citando a consequência da descrença nela: “quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe a própria condenação.”

Passando dos livros do Novo Testamento para fontes cristãs do tempo dos apóstolos e da época imediatamente posterior, podemos observar os mesmos temas. O conteúdo doutrinário é idêntico e o vocabulário permanece parecido, mesmo quando a fé se espalhou para outras terras e outras línguas. O clero, os mestres, os defensores da Igreja primitiva estavam unidos pelo interesse em preservar as doutrinas eucarísticas: a presença real do corpo e sangue de Jesus sob as espécies do pão e vinho; a natureza sacrifical da liturgia; a necessidade de sacerdotes devidamente ordenados; a importancia da forma ritual. Desta forma o testemunho das doutrinas eucarísticas é ininterrupto, desde o tempo dos evangelhos até os dias atuais.

O escrito cristão mais antigo que foi conservado, além dos livros do Novo Testamento, é a Didaqué (grego de “instrução”). Ela foi compilada, provavelmente, na Antioquia, na Síria (At 11, 26). Os estudiosos hoje convergem na idéia de que ela dificilmente tenha sido escrita por algum dos doze apóstolos, mas certamente é fruto da reunião de várias fontes escritas ou orais, que retratam a tradição viva das comunidades cristãs do primeiro século.

A leitura da Didaqué revela que as comunidades cristãs ainda não estavam completamente estruturadas, contudo, é nítida a preocupação com a liturgia, que a Igreja conserva até os dias de hoje. É inegável que esta é a prova de que a tradição é o testemunho vivo da Igreja Primitiva.

O Novo Testamento é fruto da tradição apostólica, a Didaqué é fruto do testemunho dos primeiros cristãos. Em ambos os documentos existe a mesma motivação: conservar a Igreja viva através da tradição. Negar a tradição da Igreja é negar o testemunho dos primeiros cristãos, e consequentemente negar as escrituras.

Atos 2,42: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos …”

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Uma resposta

  1. […] Publicado em Sábado – 12 de Dezembro de 2009 por danielsilvarj Ainda existindo a Didaqué, talvez o antepassado litúrgico mais notável da Missa seja a todah do antigo Israel. Assim como a […]

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