Deus em questão – Sigmund Freud e C. S. Lewis

Jesus, o primogênito

O Natal se aproxima! Nasceu o tão esperado Messias, salvador da humanidade! “E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria.” (Lc 2, 7)

Muitas pessoas baseiam sua crença de que Jesus teve irmãos no fato de estar escrito seu filho primogênito. Mas o objetivo é apenas, claramente, submeter a Bíblia à crença, ao invés de buscar o sentido real da Sagrada Escritura.

É importante destacar que todo texto bíblico possui o sentido literal e o sentido espiritual. Aquele que se debruçar sobre o texto sagrado e analisar seu conteúdo levando em consideração apenas o sentido literal, não chegará a compreendê-lo.

E qual o sentido espiritual do trecho “seu filho primogênito“?
Continue a leitura por alguns versículos subsequentes e descobrirá uma chave de interpretação muito importante, eu diria até essencial. “Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor.“ (Lc 2, 22-23)

Podemos perceber que a mensagem que São Lucas quer transmitir não é que Jesus foi o primogênito de outros irmãos. De fato, este é o sentido literal, mas conforme comentei em Jesus teve irmãos?, esta interpretação apenas literal não está em coesão com outros trechos bíblicos.

Então para podermos entender a mensagem de São Lucas, precisamos recorrer ao sentido espiritual, pois a hermenêutica bíblica só nos permite elaborar alguma conclusão através de uma interpretação que não nos leve a cometer heresia – não podemos interpretar a Bíblia se esta interpretação for contra algum trecho dela mesma.

Pois bem, São Lucas precisa anunciar que Jesus é o Messias. Para fortalecer seu argumento perante os judeus, ele mostra que Ele foi circuncidado conforme a Lei de Moisés, pois era descendente da tribo de Judá, da descendência de Davi, portanto, o Messias citado nas profecias, filho de Deus. Também por este mesmo motivo (anunciar que Jesus é Deus), São Mateus começa o Evangelho citando a genealogia de Cristo. Inclusive, repare que São Mateus  quando escreveu: “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus chamado Cristo.” não citou a existência “irmãos” como havia feito em alguns versículos anteriores.

Um outro ponto que precisamos destacar seguindo a chave de interpretação que São Lucas nos dá ao utilizar a palavra “primogênito” é que, para o Antigo Israel, a transmissão da imagem divina se dá através do primogênito. Perceba que em Gn 5, 3 Adão gera um filho “a sua semelhança, como sua imagem”, chamado Set. Nos versículos seguintes, de 6 até 32, repare que o escritor só se referiu aos primogênitos: Set gerou Enós [e outros filhos], Enós gerou Cainã [e outros filhos], Cainã gerou Malaleel [e outros filhos], Maleleel gerou Jared [e outros filhos], Jared gerou Henoc [e outros filhos], Henoc gerou Matusalém [e outros filhos], Matusalém gerou Lamec [e outros filhos], Lamec gerou Noé [e outros filhos].

A intenção do autor de Gênesis ao construir a genealogia de Noé (Gn 5, 6-32) citando a primogenitura de sua descendência, é mostrar o motivo pelo qual Noé “encontrou graça aos olhos de Deus” (Gn 6, 8 ) e foi escolhido para fazer uma aliança (Gn 6, 18 ). E através desta aliança com Noé, Deus salvou a humanidade.

Concluímos então que São Lucas, ao anunciar a boa-nova, de forma inteligentíssima utiliza a palavra primogênito. Através de uma simples palavra, ele anuncia que Jesus é a imagem de Deus, o Messias da tribo de Judá, primogênito da descendência de Davi, salvador da humanidade através de uma nova aliança, semelhante à aliança com Noé. Esta é a boa-nova do nascimento de Jesus, o primogênito: Ele é Deus e nos salva através de uma nova e eterna aliança.

Mas, se você prefere acreditar que a mensagem de São Lucas é afirmar que José e Maria mantiveram relações sexuais, o problema é todo seu, literalmente…

A Missa e o Cordeiro imolado

Este post nasceu inspirado no livro “O Banquete do Cordeiro – a Missa segundo um convertido” (Scott Hahn – Edições Loyola) e é dedicado em homenagem a Henrique Saint’Clair, ex-protestante convertido ao catolicismo através de uma pequena ajuda deste blog.

Desejo explicar de forma muito breve e direta o sentido e a importância da Liturgia Eucarística para o católico, e consequentemente o motivo pelo qual o verdadeiro católico não é um “cego em uma religião inventada”, mas sim um membro da Igreja militante de Cristo que, por ser milenar, guarda as tradições dos primeiros cristãos.

O que veremos ao longo do texto é de que forma o sacrifício da Páscoa do povo de israel (o povo escolhido) está intimamente ligado à Páscoa católica e porque a Missa se conserva da mesma forma desde os primeiros cristãos. O assunto tratado aqui existe desde o primeiro século depois de Cristo, mas Scott Hahn só descobriu o sentido do seu estudo protestante depois que ele participou da Missa pela primeira vez (os relatos estão no livro supracitado).

Continuar lendo

Tem certeza de que a Igreja Católica é a prostituta do Apocalipse?

Conto-lhes um causo:
Em certa ocasião, estive eu fazendo uma visita à casa de uma senhora que faz parte da igreja Adventista de sétimo dia.

Ao iniciar o debate, ela logo abriu o livro do Apocalipse e citou o seguinte trecho:

Um dos sete Anjos das sete taças veio dizer-me: ‘Vem! Vou mostrar-te o julgamento da grande prostituta, que se assenta à beira das águas copiosas: os reis da terra se protituíram com ela, e com o vinho da sua prostituição embriagaram-se os habitantes da terra’.  Ele me transportou, então, em espírito ao deserto, onde vi uma mulher sentada sobre uma besta escarlate, cheia de títulos blasfemos, com sete cabeças e dez chifres. A mulher estava vestida com púrpura e escarlate, adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas; e tinha na mão um cálice de ouro cheio de abominações; são as imundícies de sua prostituição. Sobre a fronte estava escrito um nome, um mistério: ‘Babilônia, a Grande, a mãe das prostitutas e das abominações da terra’. Vi então que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus. E vendo-a, fiquei profundamente admirado.” (Ap 17,1-6).

Desta forma, ela tentou associar este trecho à Igreja Católica.

Ora, continuei o debate…
Sabemos que o livro de Apocalipse foi escrito por São João (o mesmo do Evangelho) em época de dura perseguição aos cristãos.
João escrevia de dentro de uma prisão, na ilha de Patmos, e o fazia através da linguagem apocalítpica, rica em símbolos e sinais, para que os soldados romanos não entendessem a mensagem cristã caso colocassem as mãos nos manuscritos.

Para entendê-lo, devemos, por isso, entender sua técnica e retraduzir em idéias os símbolos que ele propõe, sob a pena de falsificar o sentido de sua mensagem (como acontece com as profecias de Daniel, também de linguagem apocalíptica, e as diversas ‘continhas’ que foram criadas ao longo dos anos para ‘advinhar’ o dia da expiação…).

Pois bem, um destes símbolos, mais especificamente da passagem citada é o nome Babilônia, que queria referir-se à Roma pagã. Sabemos que a Roma pagã por sua devassidão moral era comparada à antiga Babilônia.
Antes do Apocalipse, São Pedro em sua primeira epístola utilizou-se do mesmo termo para referir-se à Roma (1Pd 5, 13).

Como Deus não é um Deus de confusão, o Anjo do Senhor fornece mais detalhes que facilitam a identificação da Prostituta, a inimiga de Deus. Vejamos o restante do trecho:
O Anjo, porém, me disse: ‘Por que estás admirado? Explicar-te-ei o mistério da mulher e da Besta com sete cabeças e dez chifres que a carrega’. A Besta que viste existia, mas não existe mais; está para subir do Abismo, mas caminho para a perdição. Os habitantes da terra, cujos nomes não estão escritos no livro da vida desde a fundação do mundo, ficarão admirados ao ver a Besta, pois ela existia, não existe mais, mas reaparecerá. Aqui é necessário a inteligência que tem discernimento: as sete cabeças são sete montes sobre os quais a mulher está sentada.” (Ap 17, 7-9)

Pois bem!
É incorreto dizer que a prostituta que está sentada sobre os sete montes (que ficam na parte oriental) de Roma é a Igreja Católica, pois na época em que São João Evangelista redigiu o Apocalipse quem ali estava estabelecido era o Império Romano, que oprimia o povo de Deus.

São João estava, justamente, transmitindo a mensagem do Anjo ao povo de Deus, a fim de informar que a vitória dos cristãos contra o Império Romano era iminente:

“[os reis que a Prostituta possui, ou seja, os Imperadores Romanos] Farão guerra contra o Cordeiro, mas o Cordeiro os vencerá, porque ele é Senhor dos senhores e Rei dos reis, e com ele vencerão também os chamados, os escolhidos, os fiéis.” (Ap 17, 14)

O Apocalipse era, antes de tudo, uma mensagem reveladora de caráter confortador aos cristãos oprimidos pelo Império Romano. Pois foi Cristo que enviou sua Igreja à Roma:

Na noite seguinte, apresentou-se-lhe o Senhor e disse: …Tem bom ânimo: porque, como deste testemunho de mim em Jerusalém, assim importa que o dês também em Roma.” (Atos 23,11).

E após anunciada esta vitória dos Cristãos sobre o Império Romano (Babilônia, Roma pagã), lá a Igreja está estabelecida até os dias de hoje. Conforme prometido pela Sagrada Escritura.

Figura como mero oportunismo a tentativa de associar a Igreja Católica à prostituta do Apocalipse, além de se tratar de um erro grosseiro de interpretação. Sem falar da utilização da maledicência e do falso testemunho contra o Catolicismo.

Por isso, nunca é demais ressaltar o que a própria passagem nos diz: “Aqui é necessário a inteligência que tem discernimento“.

Ciência não consegue explicar criação

O papa Bento XVI, que pela primeira vez desde que assumiu como pontífice elaborou suas visões sobre a evolução, afirmou que a ciência estreitou a maneira como as origens da vida são entendidas e que os cristãos deveriam adotar uma posição mais ampla em relação à questão.

O papa afirma também que a teoria darwinista da evolução não pode ser provada completamente porque as mutações ao longo de centenas de milhares de anos não podem ser reproduzidas em laboratório.

Mas Bento XVI, cujas declarações foram publicadas nesta quarta-feira na Alemanha, no livro “Schoepfung und Evolution” (Criação e Evolução), elogiou o progresso científico e não endossou as visões criacionista ou de “design inteligente” sobre a origem da vida.

Estes argumentos, propostos principalmente por protestantes conservadores e derivados de cientistas, provocam batalhas sobre o ensino da evolução nos Estados Unidos. Alguns cristãos europeus e turcos muçulmanos reproduziram recentemente estas visões.
Continuar lendo

Silas Malafaia na Band

Existe um programa de TV excelente chamado Canal Livre na TV Bandeirantes.
O programa de domingo passado contava com a participação do Pastor Silas Malafaia.

A princípio, não haveria necessidade de eu escrever um artigo sobre este sujeito, mas senti esta necessidade a partir do momento em que ele citou questões diretamente ligadas a minha fé, e a de muitas pessoas que talvez estivessem escutando tamanhas baboseiras.

O referido sujeito, quando questionado, afirmou que católico adora imagens.
Como todo protestante, o pastor comete erro por desconhecer a doutrina católica.
Já escrevi um artigo sobre este assunto neste blog que pode ser encontrado aqui -> Católico adora imagens?

Como a questão da suposta “adoração de imagens” já está superada e entendida após a leitura do artigo citado, parto agora para o questionamento de uma afirmação do pastor, quando a Exortação Sacramentum Caritatis foi citada durante a entrevista.

O pastor disse que na sua “igreja” as pessoas que estão em segunda união são plenamente aceitas.

Pois bem, na Igreja Católica também. Mas a igreja do pastor não é guardiã do Sacramento da Eucaristia, portanto obviamente não tem o que administrar neste sentido.
Sendo assim, tudo o que o casal em segunda união pode encontrar na igreja do pastor, ele encontra na Igreja Católica: Palavra e Música.

Mas o que me chamou a atenção não foi isso. Mas sim o fato de que ele afirmou que o Evangelho dá vida nova à pessoa (correto), mas que por isto ele não poderia cobrar uma atitude cometida pela pessoa, antes de ela ter acreditado no Evangelho (errado).

Aqui entra a contradição em suas palavras.
Ora, ele não pode ignorar o fato de que a pessoa adquiriu um vínculo matrimonial antes de acreditar no Evangelho.
Por mais que a pessoa não acredite, ela disse “SIM”, e confirmou a união de Gênesis 2, 24 («os dois serão uma só carne»), que instituiu o casamento natural como uma instituição social divina, para isso, não é necessário sequer conhecer o Evangelho, mas simplesmente desejar o vínculo eterno e fiel ao cônjuge.

Silas Malafaia demonstrou que não sabe muito bem sobre o que está falando…

Prefiro ficar com a verdadeira fé em Cristo Jesus através da Igreja que ele fundou.

Atualizado em 17/11/2009: um belo testemunho e mais alguns comentários a respeito do homem citado no texto podem ser encontrados no comentário do Henrique Saint`Clair feito às 3:18pm de hoje.

O oportunismo da tv globo

Infelizmente, novamente, tive a infelicidade de me deparar com mais uma demonstração de jornalismo fraco da “tv globo”.

Confesso que sempre admirei a referida emissora, como a maioria dos telespectadores.
Mas quando cheguei a um dado nível de conhecimento a respeito de um determinado assunto, comecei a identificar com mais facilidade a quantidade enorme de besteiras erros cometidos pelos pseudo-jornalistas que ali “congregam”.

De um tempo pra cá, comecei a reparar que estes erros acontecem em alguns momentos chave, dando a impressão de ser algo proposital, oportuno.
Aliás, eu não sei identificar ao certo se os pseudo-jornalistas esboçam alguma pesquisa sobre o assunto o qual irão noticiar, ou se resolvem omitir os dados a fim de criar polêmica, visto que muita gente não vai perceber o erro, fazendo crescer a audiência.
Daí, começo a perceber que: se não existe preparo para falar sobre um assunto que eu conheço, não posso confiar em uma matéria que fala sobre um assunto que eu não conheço. Não posso confiar nesta emissora.
Continuar lendo