Igrejas Ortodoxas reconhecem primado do Papa

Foi publicado no dia 15 de novembro último, em Roma, Atenas, Istambul e Chipre, o documento de trabalho “Consequências eclesiológicas e canônicas da Igreja: Comunhão eclesial, conciliatória e autoridade“, que foi redigido na reunião da Comissão Internacional para diálogo teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa, que se celebrou de 8 a 14 de outubro em Ravena (Itália).

No texto, basicamente, especialistas representantes das Igrejas Ortodoxas reconhecem o Papa, sucessor de Pedro, como o primeiro patriarca. No entanto, suas prerrogaticas e funções que derivam deste primado ainda devem ser estudadas melhor para serem compartilhadas por estas duas tradições cristãs.

A reunião foi presidida pelo Cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, e por Dom Ioannis, metropolita de Pérgamo (do patriarcado ecumênico de Constantinopla)

De acordo com Kasper, “o passo importante é que pela primeira vez as Igrejas Ortodoxas reconhecem que, existe um primado, e que segundo a Igreja antiga, o primeiro bispo é o bispo de Roma, isto quer dizer que eles reconhecem que o Papa é o primeiro patriarca da Igreja Universal.

O Cardeal informou que o encontro não tratou dos privilégios do Bispo de Roma, apenas indicou o caminho para um debate futuro. “Este documento é apenas um primeiro passo, e um passo de esperança, mas não podemos exagerar sobre sua importância.

O documento respondeu a seguinte pergunta:
– “Existe uma figura que desempenhe o primeiro lugar tanto para católicos como para ortodoxos, respeitando a ‘igualdade sacramental’ e a ‘mesma dignidade’ própria do Bispo?

A resposta que o documento oferece, dividido em 46 pontos de dez páginas pode resumir-se assim: “Católicos e Ortodoxos concordam com o fato de que o Bispo de Roma, quer dizer o Papa para os católicos, é considerado o “protos”, ou seja, o primeiro entre os patriarcas de todo o mundo, pois Roma, segundo a expressão de Santo Inácio de Antioquia, é a ‘Igreja que preside na caridade’.

No entanto, ainda existe divergência entre católicos e ortodoxos quanto às prerrogativas deste primado, dado que, segundo afirma o documento, “existem diferenças na compreensão tanto da maneira na qual deveria ser exercido, como em seus fundamentos segundo as Escrituras e a teologia
Mas, segundo o Cardeal Walter Kasper, no próximo encontro será tratado o papel do Bispo de Roma na Igreja Universal no primeiro século. Depois, os futuros encontros vão abordar a missão do Papa no segundo milênio, no Concílio Vaticano I e no Concílio Vaticano II.
O diálogo não será fácil, é um caminho longo e difícil“, afirmou o Cardeal.

Apesar disso, o documento representa um marco na comunhão eclesial católico-ortodoxa (rompida no cisma de 1054) através do reconhecimento da personalidade do Papa como a mais ilustre dentre os Bispos das cinco sedes apostólicas: Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém. O ponto 24 do documento cita: “os Bispos de cada nação têm que reconhecer aquele que é o primeiro entre eles e considerá-lo seu líder, salvaguardando assim a concórdia“.

Como muito bem destaca o documento que reconheceu o primado, “a autoridade vem de Cristo, fundamenta-se sobre a Palavra de Deus, e através dos apóstolos é transmitida aos Bispos e a seus sucessores. Seu serviço é um serviço de amor, pois para os cristãos, governar é o mesmo que servir“.

Louvado seja Deus por mais um passo dado no caminho rumo à retomada da unidade.

Haverá um só rebanho e um só pastor.” (Jo 10, 16)

 Fontes: Jornal O Testemunho de Fé e Agência ZENIT

Respostas a questões relativas a alguns aspectos da Doutrina da Igreja

O documento da Congregação Vaticana para a Doutrina da Fé, foi publicado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, após ter sido aprovado e confirmado por Bento XVI, que ordenou sua publicação.

O citado documento trata, como o próprio nome diz, de respostas que visam aprofundar a questão.

Antes de falar sobre o documento, gostaria de, infelizmente, destacar o triste papel da imprensa no Brasil, e no mundo.
Tal documento, fundamental para o diálogo ecumênico, foi colocado pela imprensa como sendo uma barreira para o mesmo.
A imprensa trata o assunto como se esta posição da Igreja fosse uma novidade, quando na verdade, o documento apenas reafirma aquilo que sempre esteve contido na doutrina da Igreja.
Basta folhear algumas páginas do Catecismo, pra encontrar estas afirmações.

Pois bem, do que trata exatamente o documento?

O documento data de 29 de junho de 2007, dia da solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo e foi publicado ontem.
Como citado anteriormente, ele não apresenta nenhuma novidade, mas apenas alguns esclarecimentos.
Tanto é que ele foi redigido em forma de perguntas e respostas. E é possível observar que as respostas trazem referências a documentos outros documentos e cartas redigidos anteriormente.

Certamente, o estímulo à redação deste documento foi a necessidade de maior esclarecimento a respeito de questões levantadas pelo Concílio Vaticano II, que 40 após terminado, ainda gera algumas dúvidas quanto à interpretação de seu conteúdo textual.

Acompanhe o documento na íntegra, em língua portuguesa:
(observe as notas às quais as respostas fazem alusão)
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Entenda mais a ‘Sacramentum Caritatis’

Reitor do Pontifício Instituto Litúrgico comenta «Sacramentum Caritatis»
Pede que se leia em seu conjunto para evitar «reducionismos»

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 2 de março de 2007 (ZENIT.org).- A novidade da exortação apostólica pós-sinodal sobre a Eucaristia, «Sacramentum Caritatis», publicada na semana passada, consiste sobretudo em seu aprofundamento na «reforma litúrgica» que o Concílio Vaticano II empreendeu.

Assim constata nesta entrevista concedida à agência Zenit o Pe. Juan Javier Flores. Osb., presidente do Pontifício Instituto Litúrgico de Roma.

O sacerdote beneditino declara ao mesmo tempo em que consiste o chamado do Papa à coerência eucarística, lançado neste documento, assim como sua petição de utilizar o latim nas missas multinacionais.

–Que recomendações o senhor daria para ler e compreender bem a exortação do Papa?

–Padre Flores: O documento papal se divide em três partes que devem ser lidas em seu conjunto: A Eucaristia é um mistério que se deve crer (primeira parte), que se deve celebrar (segunda parte) e que se deve viver (terceira parte). Portanto, na primeira parte se trata de conhecer bem o aspecto teológico do sacramento eucarístico, a segunda centra na ação litúrgica, ou seja, na liturgia eucarística, e a terceira apresenta a vida eucarística, mistério que se deve anunciar e oferecer ao mundo.

Creio que é importante não fazer leituras redutivas, minimalistas ou parciais do documento, o qual é uma reflexão magisterial sobre o sacramento eucarístico que dá luzes novas sobre o sacramento da Eucaristia. Ele deve ser lido em sua totalidade e não retirar do contexto frases que possam nos desviar da verdadeira doutrina.

–Quais são as novidades deste documento?

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Desvendando os enganos a respeito da Exortação “Sacramentum Caritatis”

Apesar de estar quase sem esperanças, finalmente encontro um jornalismo sincero, verdadeiro, que busca a informação e se preocupa em passá-la íntegra.

Há poucas horas, tive a oportunidade de, enquanto assistia o jornal do SBT com Carlos Nascimento e Cíntia Bellini, testemunhar o verdadeiro compromisso com o telespectador. É sabido que o jornalismo da referida emissora não é seu “carro-chefe”, mas são fatos como esse que me levam a acreditar que mais vale sinceridade e profissionalismo do que orçamentos milionários e estrelismo.

Enquanto a globo se preocupa em “jogar” a notícia, gerar polêmica, aumentar a audiência e, conseqüentemente garantir o ($$$), o SBT se preocupou em correr atrás dos fatos.

Pois bem, muita polêmica foi gerada em torno da Exortação Apostólica de Bento XVI chamada “Sacramentum Caritatis“. Eu fiz um comentário neste blog a respeito desta polêmica.

O fato gira em torno da seguinte afirmação: “Trata-se de um problema pastoral espinhoso e complexo, uma verdadeira praga no ambiente social e contemporâneo que vai, progressivamente, corroendo os próprios ambientes católicos“. (O texto na íntegra pode ser encontrado no site do Vaticano )
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Sacramentum Caritatis, polêmica criada

Conforme comunicado por mim aqui no blog, foi publicada na terça-feira a primeira Exortação Apostólica pós-sinodal assinada por Bento XVI.

Ela se chama “Sacramentum Caritatis” (Sacramento do Amor, em português) e fala exclusivamente sobre a Eucaristia. Você pode ler este texto de riquíssimo conteúdo, em português no site do Vaticano.

Mas quando eu disse que pode ler, é porque pode e DEVE ler. Principalmente se você é católico, pois trata-se de uma exortação dirigida a você.
Eu digo que pode e DEVE, porque mais uma vez, minha paciência se tornou vítima da parcialidade da Rede Globo, que simplesmente divulgou uma matéria a respeito da exortação depurpando o seu sentido. Ora, parece mais que esses jornalistas não aprenderam a pesquisar na faculdade (se é que eles passaram por lá…). Ou, talvez, tenham aprendido mais a gerar lucro ($$$) com esse tipo de polêmica.

A matéria pode ser lida em: http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2007/03/13/294908138.asp

Pois bem, fazendo a comparação entre o texto que podemos ler na íntegra no site do vaticano e os trechos que podemos ler na matéria do “globo”, podemos perceber nitidamente a intenção de apenas gerar polêmica.
E acabou que, antes de eu ler o documento, chegou ao meu ouvido que “o Papa disse que os divorciados são uma praga na sociedade“.

Como não poderia acreditar em tal distorção, pois acredito na infabilidade Papal, procurei a parte da exortação que fala sobre o assunto.
Qual não foi a minha surpresa quando lá encontrei palavras que dão um sentido totalmente contrário ao da matéria.

A frase retirada do texto pelo “globo” e colocada na matéria é:
“Ainda no documento, Bento XVI classificou como “uma verdadeira praga” o segundo casamento de pessoas já divorciadas.
‘Trata-se de um problema pastoral espinhoso e complexo, uma verdadeira praga no ambiente social e contemporâneo que vai, progressivamente, corroendo os próprios ambientes católicos’, diz o documento.”

Mas parece que se esqueceram de continuar lendo o parágrafo inteiro que continua:
“Os pastores, por amor da verdade, são obrigados a discernir bem as diferentes situações, para ajudar espiritualmente e de modo adequado os fiéis implicados.(92) O Sínodo dos Bispos confirmou a prática da Igreja, fundada na Sagrada Escritura (Mc 10, 2-12), de não admitir aos sacramentos os divorciados re-casados, porque o seu estado e condição de vida contradizem objectivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja que é significada e realizada na Eucaristia. Todavia os divorciados re-casados, não obstante a sua situação, continuam a pertencer à Igreja, que os acompanha com especial solicitude na esperança de que cultivem, quanto possível, um estilo cristão de vida, através da participação na Santa Missa ainda que sem receber a comunhão, da escuta da palavra de Deus, da adoração eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária, do diálogo franco com um sacerdote ou um mestre de vida espiritual, da dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do empenho na educação dos filhos.” (grifo meu)

Portanto, falo aos críticos de plantão que adoram criticar a Igreja sem respaldo algum, que nem tudo o que a Rede globo fala é verdade. Que torna-se necessário antes, buscar a informação como ela é, e não como querem que você acredite que ela seja.
Isso inclui os católicos que fazem da religião uma prateleira de supermercado, onde escolhem somente a mercadoria que desejam levar.

Qualquer dia vai ter gente indo comprar Bíblia assim:
“Vou levar uma Bíblia, mas tira aquela parte que fala sobre o 6º mandamento, porque eu não concordo com ele…”

Sejamos coerentes!