Jesus, o primogênito

O Natal se aproxima! Nasceu o tão esperado Messias, salvador da humanidade! “E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria.” (Lc 2, 7)

Muitas pessoas baseiam sua crença de que Jesus teve irmãos no fato de estar escrito seu filho primogênito. Mas o objetivo é apenas, claramente, submeter a Bíblia à crença, ao invés de buscar o sentido real da Sagrada Escritura.

É importante destacar que todo texto bíblico possui o sentido literal e o sentido espiritual. Aquele que se debruçar sobre o texto sagrado e analisar seu conteúdo levando em consideração apenas o sentido literal, não chegará a compreendê-lo.

E qual o sentido espiritual do trecho “seu filho primogênito“?
Continue a leitura por alguns versículos subsequentes e descobrirá uma chave de interpretação muito importante, eu diria até essencial. “Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor.“ (Lc 2, 22-23)

Podemos perceber que a mensagem que São Lucas quer transmitir não é que Jesus foi o primogênito de outros irmãos. De fato, este é o sentido literal, mas conforme comentei em Jesus teve irmãos?, esta interpretação apenas literal não está em coesão com outros trechos bíblicos.

Então para podermos entender a mensagem de São Lucas, precisamos recorrer ao sentido espiritual, pois a hermenêutica bíblica só nos permite elaborar alguma conclusão através de uma interpretação que não nos leve a cometer heresia – não podemos interpretar a Bíblia se esta interpretação for contra algum trecho dela mesma.

Pois bem, São Lucas precisa anunciar que Jesus é o Messias. Para fortalecer seu argumento perante os judeus, ele mostra que Ele foi circuncidado conforme a Lei de Moisés, pois era descendente da tribo de Judá, da descendência de Davi, portanto, o Messias citado nas profecias, filho de Deus. Também por este mesmo motivo (anunciar que Jesus é Deus), São Mateus começa o Evangelho citando a genealogia de Cristo. Inclusive, repare que São Mateus  quando escreveu: “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus chamado Cristo.” não citou a existência “irmãos” como havia feito em alguns versículos anteriores.

Um outro ponto que precisamos destacar seguindo a chave de interpretação que São Lucas nos dá ao utilizar a palavra “primogênito” é que, para o Antigo Israel, a transmissão da imagem divina se dá através do primogênito. Perceba que em Gn 5, 3 Adão gera um filho “a sua semelhança, como sua imagem”, chamado Set. Nos versículos seguintes, de 6 até 32, repare que o escritor só se referiu aos primogênitos: Set gerou Enós [e outros filhos], Enós gerou Cainã [e outros filhos], Cainã gerou Malaleel [e outros filhos], Maleleel gerou Jared [e outros filhos], Jared gerou Henoc [e outros filhos], Henoc gerou Matusalém [e outros filhos], Matusalém gerou Lamec [e outros filhos], Lamec gerou Noé [e outros filhos].

A intenção do autor de Gênesis ao construir a genealogia de Noé (Gn 5, 6-32) citando a primogenitura de sua descendência, é mostrar o motivo pelo qual Noé “encontrou graça aos olhos de Deus” (Gn 6, 8 ) e foi escolhido para fazer uma aliança (Gn 6, 18 ). E através desta aliança com Noé, Deus salvou a humanidade.

Concluímos então que São Lucas, ao anunciar a boa-nova, de forma inteligentíssima utiliza a palavra primogênito. Através de uma simples palavra, ele anuncia que Jesus é a imagem de Deus, o Messias da tribo de Judá, primogênito da descendência de Davi, salvador da humanidade através de uma nova aliança, semelhante à aliança com Noé. Esta é a boa-nova do nascimento de Jesus, o primogênito: Ele é Deus e nos salva através de uma nova e eterna aliança.

Mas, se você prefere acreditar que a mensagem de São Lucas é afirmar que José e Maria mantiveram relações sexuais, o problema é todo seu, literalmente…

A Missa e o Cordeiro imolado

Este post nasceu inspirado no livro “O Banquete do Cordeiro – a Missa segundo um convertido” (Scott Hahn – Edições Loyola) e é dedicado em homenagem a Henrique Saint’Clair, ex-protestante convertido ao catolicismo através de uma pequena ajuda deste blog.

Desejo explicar de forma muito breve e direta o sentido e a importância da Liturgia Eucarística para o católico, e consequentemente o motivo pelo qual o verdadeiro católico não é um “cego em uma religião inventada”, mas sim um membro da Igreja militante de Cristo que, por ser milenar, guarda as tradições dos primeiros cristãos.

O que veremos ao longo do texto é de que forma o sacrifício da Páscoa do povo de israel (o povo escolhido) está intimamente ligado à Páscoa católica e porque a Missa se conserva da mesma forma desde os primeiros cristãos. O assunto tratado aqui existe desde o primeiro século depois de Cristo, mas Scott Hahn só descobriu o sentido do seu estudo protestante depois que ele participou da Missa pela primeira vez (os relatos estão no livro supracitado).

Continuar lendo

Respostas a questões relativas a alguns aspectos da Doutrina da Igreja

O documento da Congregação Vaticana para a Doutrina da Fé, foi publicado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, após ter sido aprovado e confirmado por Bento XVI, que ordenou sua publicação.

O citado documento trata, como o próprio nome diz, de respostas que visam aprofundar a questão.

Antes de falar sobre o documento, gostaria de, infelizmente, destacar o triste papel da imprensa no Brasil, e no mundo.
Tal documento, fundamental para o diálogo ecumênico, foi colocado pela imprensa como sendo uma barreira para o mesmo.
A imprensa trata o assunto como se esta posição da Igreja fosse uma novidade, quando na verdade, o documento apenas reafirma aquilo que sempre esteve contido na doutrina da Igreja.
Basta folhear algumas páginas do Catecismo, pra encontrar estas afirmações.

Pois bem, do que trata exatamente o documento?

O documento data de 29 de junho de 2007, dia da solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo e foi publicado ontem.
Como citado anteriormente, ele não apresenta nenhuma novidade, mas apenas alguns esclarecimentos.
Tanto é que ele foi redigido em forma de perguntas e respostas. E é possível observar que as respostas trazem referências a documentos outros documentos e cartas redigidos anteriormente.

Certamente, o estímulo à redação deste documento foi a necessidade de maior esclarecimento a respeito de questões levantadas pelo Concílio Vaticano II, que 40 após terminado, ainda gera algumas dúvidas quanto à interpretação de seu conteúdo textual.

Acompanhe o documento na íntegra, em língua portuguesa:
(observe as notas às quais as respostas fazem alusão)
Continuar lendo

O processo de canonização

O processo recebe aprovação de peritos médicos e depois dos peritos teólogos.
Após ser aprovado também na Congregação dos Padres Cardeais e Bispos, é  então feita a petição ao Papa, para que ele dê à causa o Decreto sobre o Milagre, o que abre as portas para a canonização.

As cerimônias de canonização costumam ser em Roma, pois elas sempre são celebradas pelo Papa.
Mas no caso de Frei Galvão, por exemplo, a cerimônia acontecerá aqui no Brasil por ocasião da visita do Papa para a abertura da V CELAM.

Pois bem, após  ter recebido do papa o Decreto do Milagre válido para a canonização, o beato já tem todos os requisitos necessários para ser canonizado, mas isso não quer dizer que o será. Essa é uma decisão a ser tomada pelo Papa unicamente, e ele não é obrigado a fazê-lo.

Antes de tomar a sua decisão, ele ouve o parecer sobretudo dos cardeais e bispos.
São realizados três consistórios consecutivos.
– O primeiro é um Consistório Secreto, do qual participam os cardeais residentes em Roma. Tendo os documentos sobre a vida do Beato e as atas da causa, respondem ao Papa o que pensam da canonização: “Placet” ou “Non Placet” (aprovam ou não aprovam).
– O segundo é um Consistório Público, solene, do qual participam também os bispos que se encontram em Roma e os embaixadores das nações católicas junto à Santa Sé. Após uma exposição sobre a vida e os milagres do Beato, é pedida a sua canonização ao Papa. Pede-se a todos que implorem as luzes divinas com jejuns e orações, antes que os Cardeais e bispos manifestem o seu parecer. O Papa se dirige aos Cardeais do mundo inteiro, pedindo que dêem o seu parecer sobre a canonização dos  novos santos. Os cardeais respondem escrevendo ao Papa. Assim é marcado o terceiro consistório.
– O terceiro consistório é semi-público, do qual participam, além dos Cardeais e Bispos residentes em Roma, os Abades Nullius. Também estão presentes outros convidados, como por exemplo, os postuladores das causas de canonização que estão sendo examinadas. Nesse consistório o Papa dará a sua declaração oficial, e já será marcada a data da cerimônia de canonização.

Os milagres são fundamentais em uma causa de canonização, pois podem ser comprovados cientificamente, dando segurança de uma graça obtida por intercessão daquele santo, provando que ele está no céu, junto de Deus, intercedendo por nós.

Todos os testemunhos são importantes, pois as graças recebidas são um dom de Deus. Todo dom de Deus tem um valor  inestimável. Diante do amor de Deus, tem igual valor ressuscitar um morto e  ser curado de um resfriado. Um gesto de amor é sempre um gesto de amor. Muitas vezes podemos ler um relato aparentemente sem muita importância, mas que teve um imenso significado na vida da pessoa que o está testemunhando. Pode ter sido um momento marcante de sua existência, um verdadeiro encontro com Deus.

Porém, alguns desses relatos, tocam de forma especial. Não porque são graças de “valor maior”, mas porque aconteceram de tal modo, que ficou evidente que era um milagre, e não há outra explicação, seja científica ou teológica.

Muitas são as graças obtidas por intermédio de frei Galvão em todo o Brasil e até mesmo no exterior. Dentre tantas, essas que levaram à sua canonização tiveram características tais que permitiram a aprovação como milagre. Havia abundância de testemunhos altamente qualificados e muitos exames clínicos comprobatórios sobre essas graças recebidas, condições indispensáveis para a aprovação.
Infelizmente muitas graças se perdem na hora de poder comprovar o milagre, não porque não são grandes graças, mas porque faltam exames clínicos para se saber exatamente todo o ocorrido. Se existem dúvidas, por menores que sejam, o caso é descartado pelos médicos da Santa Sé, em Roma, e deve-se procurar uma nova graça para exame.

§828 Ao canonizar certos fiéis, isto é, ao proclamar solene que esses fiéis praticaram heroicamente as virtudes e viveram na fidelidade à graça de Deus, a Igreja reconhece o poder do Espírito de santidade que está em si e sustenta a esperança dos fiéis, propondo-os como modelos e intercessores. “Os santos e as santas sempre foram fonte e origem de renovação nas circunstâncias mais difíceis da história da Igreja.” Com efeito, “a santidade é a fonte secreta e a medida infalível de sua atividade apostólica e de seu elã missionário”.

§1477 “Pertence, além disso, a esse tesouro o valor verdadeiramente imenso, incomensurável e sempre novo que têm junto a Deus as preces e as boas obras da Bem-aventurada Virgem Maria e de todos os santos que, seguindo as pegadas de Cristo Senhor, por sua graça se santificaram e totalmente acabaram a obra que o Pai lhes confiara, de sorte que, operando a própria salvação, também contribuíram para a salvação de seus irmãos na unidade do corpo místico.”

“A canonização formal, ou canonização propriamente dita, é aquela que encerra um processo regularmente aberto e conduzido com todo o rigor de um procedimento judicial severíssimo, de modo a constatar juridicamente a heroicidade das virtudes praticadas por um Servo de Deus, bem como a veracidade dos milagres com que o Deus a manifestou. Esta sentença definitiva, oficialmente notificada urbi et orbi, é pronunciada pelo Sumo Pontifícice na plenitude de seu poder apostólico, e em meio a cerimônias solenes que lhe ressaltam a importância.

A canonização eqüipolente é uma sentença pela qual o Sumo Pontífice ordena honrar como santo, na Igreja Universal, um Servo de Deus para o qual não se introduziu um processo regular, mas que, desde um tempo imemorial, se acha na posse de um culto público.” (ORTOLAN, T., “Canonization”, in Dictionnaire de Théologie Catholique, Paris: Letouzey et Ané, 1923, tomo II, parte 2ª, col. 1636)

A doutrina do Purgatório

O Purgatório, ao contrário do que muitos pensam, não é um local,mas um estado.
Trata-se de um estado temporário onde ficam aqueles que ao morrer não estão plenamente purificados das impurezas do pecado.

Ao contrário do que os protestantes pensam, o purgatório não é um meio de salvação. Quem vai para o purgatório já está salvo, mas precisa de uma purificação maior, já que no Céu não pode entrar nada que seja impuro (Ap 21, 27)

Um exemplo bem claro desta purificação pode ser encontrada em 1Pd 3, 19- 20: “É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes, quando Deus aguardava com paciência, enquanto se edificava a arca, na qual poucas pessoas, isto é, apenas oito se salvaram através da água

Podemos encontrar outro exemplo em 1Cor 3, 11 – 15: “Quanto ao fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já foi posto: Jesus Cristo. Agora, se alguém edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um aparecerá. O dia (do julgamento) demonstrá-lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo
Continuar lendo

Ciência não consegue explicar criação

O papa Bento XVI, que pela primeira vez desde que assumiu como pontífice elaborou suas visões sobre a evolução, afirmou que a ciência estreitou a maneira como as origens da vida são entendidas e que os cristãos deveriam adotar uma posição mais ampla em relação à questão.

O papa afirma também que a teoria darwinista da evolução não pode ser provada completamente porque as mutações ao longo de centenas de milhares de anos não podem ser reproduzidas em laboratório.

Mas Bento XVI, cujas declarações foram publicadas nesta quarta-feira na Alemanha, no livro “Schoepfung und Evolution” (Criação e Evolução), elogiou o progresso científico e não endossou as visões criacionista ou de “design inteligente” sobre a origem da vida.

Estes argumentos, propostos principalmente por protestantes conservadores e derivados de cientistas, provocam batalhas sobre o ensino da evolução nos Estados Unidos. Alguns cristãos europeus e turcos muçulmanos reproduziram recentemente estas visões.
Continuar lendo

Decálogo

Como não poderia deixar de escolher para o primeiro post, eis o primeiro tema: os dez mandamentos.

 Também conhecido como decálogo (dez palavras cf. Ex 34, 28)  que traz o resumo da Lei dada ao povo de Israel no contexto da Aliança mediante Moisés.

 Através da obediência ao decálogo, podemos traçar uma vida livre da escravidão do pecado. Portanto, ao contrário do que muitas pessoas pensam, o decálogo não existe para nos tolir, mas para nos auxiliar.

Para facilitar ainda mais as coisas, podemos dividi-lo em duas partes: o amor a Deus e o amor ao próximo. Os três primeiros mandamentos se referem àquele, os sete restantes se referem a este.

Ei-los (em sua fórmula catequética):

1.  Amar a Deus sobre todas as coisas
2.  Não tomar seu Santo Nome em vão
3.  Guardar domingos e festas de guarda
4.  Honrar pai e mãe
5.  Não matar
6.  Não pecar contra a castidade
7.  Não furtar
8.  Não levantar falso testemunho
9.  Não desejar a mulher do próximo
10. Não cobiçar as coisas alheias.

Fonte: Catecismo da Igreja Católica

 Dizem por aí, que se trata de um desafio enorme obedecer a todos os mandamentos. Mas nós temos no exemplo dos santos canonizados pela Igreja a prova de que isso está bem próximo de nossa realidade.

Vai uma dica: siga sempre o primeiro mandamento, dentro de qualquer contexto, sob qualquer circunstância. Pois, amar a Deus sobre todas as coisas torna bem mais fácil respeitar o seu santo nome, guardar domingos e dias santos e finalmente respeitar o próximo como pedem todos os outros sete mandamentos, afinal, trata-se de uma criatura feita a Sua imagem e semelhança.

 “Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos também vós santos em todo o vosso comportamento, porque está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (1 Ped 1, 16)

Que a sua vida siga sempre o plano de santidade que Deus desejou pra você!