Nasceu o primogênito

Está chegando o Natal! Vamos comemorar o nascimento do nosso irmão mais velho! O primogênito!

Sempre que lemos a Sagrada Escritura, precisamos partir de uma premissa: ela foi escrita em uma língua diferente da nossa. Foi escrita numa língua que é muito mais pobre em vocabulário. Quando reconhecemos essa premissa, percebemos que para que possamos compreender melhor a Sagrada Escritura precisamos ter alguma noção dos significados das palavras utilizadas no texto original.

Vejamos, então, o caso da palavra irmão. Embora irmão tenha um primeiro sentido de “irmão de sangue”, a palavra grega usada (adelphos), assim como a palavra correspondente em hebraico e em aramaico, pode designar relações de parentesco mais amplas.
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Jesus, o primogênito

O Natal se aproxima! Nasceu o tão esperado Messias, salvador da humanidade! “E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria.” (Lc 2, 7)

Muitas pessoas baseiam sua crença de que Jesus teve irmãos no fato de estar escrito seu filho primogênito. Mas o objetivo é apenas, claramente, submeter a Bíblia à crença, ao invés de buscar o sentido real da Sagrada Escritura.

É importante destacar que todo texto bíblico possui o sentido literal e o sentido espiritual. Aquele que se debruçar sobre o texto sagrado e analisar seu conteúdo levando em consideração apenas o sentido literal, não chegará a compreendê-lo.

E qual o sentido espiritual do trecho “seu filho primogênito“?
Continue a leitura por alguns versículos subsequentes e descobrirá uma chave de interpretação muito importante, eu diria até essencial. “Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor.“ (Lc 2, 22-23)

Podemos perceber que a mensagem que São Lucas quer transmitir não é que Jesus foi o primogênito de outros irmãos. De fato, este é o sentido literal, mas conforme comentei em Jesus teve irmãos?, esta interpretação apenas literal não está em coesão com outros trechos bíblicos.

Então para podermos entender a mensagem de São Lucas, precisamos recorrer ao sentido espiritual, pois a hermenêutica bíblica só nos permite elaborar alguma conclusão através de uma interpretação que não nos leve a cometer heresia – não podemos interpretar a Bíblia se esta interpretação for contra algum trecho dela mesma.

Pois bem, São Lucas precisa anunciar que Jesus é o Messias. Para fortalecer seu argumento perante os judeus, ele mostra que Ele foi circuncidado conforme a Lei de Moisés, pois era descendente da tribo de Judá, da descendência de Davi, portanto, o Messias citado nas profecias, filho de Deus. Também por este mesmo motivo (anunciar que Jesus é Deus), São Mateus começa o Evangelho citando a genealogia de Cristo. Inclusive, repare que São Mateus  quando escreveu: “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus chamado Cristo.” não citou a existência “irmãos” como havia feito em alguns versículos anteriores.

Um outro ponto que precisamos destacar seguindo a chave de interpretação que São Lucas nos dá ao utilizar a palavra “primogênito” é que, para o Antigo Israel, a transmissão da imagem divina se dá através do primogênito. Perceba que em Gn 5, 3 Adão gera um filho “a sua semelhança, como sua imagem”, chamado Set. Nos versículos seguintes, de 6 até 32, repare que o escritor só se referiu aos primogênitos: Set gerou Enós [e outros filhos], Enós gerou Cainã [e outros filhos], Cainã gerou Malaleel [e outros filhos], Maleleel gerou Jared [e outros filhos], Jared gerou Henoc [e outros filhos], Henoc gerou Matusalém [e outros filhos], Matusalém gerou Lamec [e outros filhos], Lamec gerou Noé [e outros filhos].

A intenção do autor de Gênesis ao construir a genealogia de Noé (Gn 5, 6-32) citando a primogenitura de sua descendência, é mostrar o motivo pelo qual Noé “encontrou graça aos olhos de Deus” (Gn 6, 8 ) e foi escolhido para fazer uma aliança (Gn 6, 18 ). E através desta aliança com Noé, Deus salvou a humanidade.

Concluímos então que São Lucas, ao anunciar a boa-nova, de forma inteligentíssima utiliza a palavra primogênito. Através de uma simples palavra, ele anuncia que Jesus é a imagem de Deus, o Messias da tribo de Judá, primogênito da descendência de Davi, salvador da humanidade através de uma nova aliança, semelhante à aliança com Noé. Esta é a boa-nova do nascimento de Jesus, o primogênito: Ele é Deus e nos salva através de uma nova e eterna aliança.

Mas, se você prefere acreditar que a mensagem de São Lucas é afirmar que José e Maria mantiveram relações sexuais, o problema é todo seu, literalmente…

A Missa e o Cordeiro imolado

Este post nasceu inspirado no livro “O Banquete do Cordeiro – a Missa segundo um convertido” (Scott Hahn – Edições Loyola) e é dedicado em homenagem a Henrique Saint’Clair, ex-protestante convertido ao catolicismo através de uma pequena ajuda deste blog.

Desejo explicar de forma muito breve e direta o sentido e a importância da Liturgia Eucarística para o católico, e consequentemente o motivo pelo qual o verdadeiro católico não é um “cego em uma religião inventada”, mas sim um membro da Igreja militante de Cristo que, por ser milenar, guarda as tradições dos primeiros cristãos.

O que veremos ao longo do texto é de que forma o sacrifício da Páscoa do povo de israel (o povo escolhido) está intimamente ligado à Páscoa católica e porque a Missa se conserva da mesma forma desde os primeiros cristãos. O assunto tratado aqui existe desde o primeiro século depois de Cristo, mas Scott Hahn só descobriu o sentido do seu estudo protestante depois que ele participou da Missa pela primeira vez (os relatos estão no livro supracitado).

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Papa João Paulo II, 3 anos de saudade

Impossível falar de João Paulo II sem ter em mente a palavra AMOR.

Falar deste homem e de sua magnífica trajetória terrestre é muito, mas muito difícil, pois o sentimento transborda… Quanta saudade!

Tenho 22 anos. Certamente a juventude que cresceu no seio de seu papado sente a saudade de um amigo querido que se foi.

Sua intensa identificação com a juventude o levou a criar a Jornada Mundial da Juventude, que este ano em sua 23ª edição terá a Austrália como sede.

O funeral de João Paulo II movimentou milhões de pessoas, de diversos lugares, diversas religiões, diversos partidos políticos, quatro reis, cinco rainhas e mais de 70 presidentes e primeiros-ministros, de diferentes credos, sendo considerada a maior cerimônia religiosa da história contemporânea que foi, inclusive, transmitida ao vivo pelas principais redes de televisão e portais na Internet.
Certamente um sentimento sobrenatural moveu todas as pessoas a Roma, seja pessoalmente ou pela televisão. Um encontro entre cristãos, judeus, muçulmanos, e, até mesmo, ateus que se ajoelharam diante do caixão do Papa.

Diversos países decretaram luto nacional.

Os diversos percursos de Karol Wojtyla pelo mundo, saindo da Itália 104 vezes o equivalente a 550 dias fora do Vaticano, visitando 129 países, só ao Brasil teve por três vezes em 1980, 1991 e 1997, viajando mais de 1,2 milhão de quilômetros dariam, aproximadamente, para dar trinta voltas em torno da terra. João Paulo II viu e ouviu vários povos, dialogou com representantes de diferentes religiões (cristã, mulçumana e judaica).

A mídia construiu um dos maiores acontecimentos noticiosos na era moderna durante todo o transcurso da agonia, morte e funeral. Mais de 90 países receberam as imagens, ao vivo, da Missa de corpo presente do Papa João Paulo II, pelos principais canais públicos e privados de televisão, NBC, ABC, CBS, CNN, RAI, Al-Jazira, Al-Arablya, e no Brasil a Rede Globo, a Band, Rede Vida entre outros canais que exibiram as imagens por mais de três horas ininterruptas da Praça São Pedro.

Nas primeiras 72 horas após o anúncio da sua morte, segundo o Global Language Monitor, mais de 75 mil reportagens foram publicadas em todo o mundo. Cerca de 12 milhões de vezes foi citado o nome de João Paulo II na rede mundial de informação, superando em mais de três vezes as reportagens sobre o atentado de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e em mais de 10 vezes a reeleição de George Bush. Superou também a cobertura do acidente e morte do piloto brasileiro Ayrton Sena e da princesa Diana.

O mundo parou por algumas horas diante da televisão para acompanhar ao vivo as transmissões das exéquias do papa. Diversos telões foram espalhados nos arredores do Vaticano para que mais de 700 mil peregrinos, que não tiveram acesso à Praça de São Pedro, pudessem acompanhar tudo com detalhes, conforme informação das autoridades responsáveis pela organização da cerimônia. Roma viu-se cercada de telões para que os quase 4 milhões de pessoas que lotavam os espaços urbanos da cidade entre eles o estádio Olímpico, a Praça do Popolo, a Praça de São João de Latrão, a Praça de São Paulo e a Via da Conciliação.

Em vários países as redes de televisão públicas e privadas instalaram telões em locais de grande afluência de pessoas, para evitar tumultos e possibilitar uma certa normalidade na vida cotidiana das grandes cidades, o que foi quase impossível. No México, um telão foi instalado na Basílica de Guadalupe, o mais expressivo templo católico do país. Em Paris, o local de maior concentração de fiéis para assistir ao vivo nos telões foi a Catedral de Notre Dame.

Em algumas cidades da Europa, durante a transmissão ao vivo da missa fúnebre, as ruas ficaram vazias, algumas lojas cerraram as suas portas para que a população pudesse assistir a cerimônia em casa ou nos telões em espaços públicos. Em Lourdes, na França, o local de convergência dos telespectadores foi a Basílica São Pio X, onde também havia telões.
As autoridades de Roma estimaram que aproximadamente 2 milhões de poloneses foram à Itália para assistir o funeral do compatriota Karol Wojtyla. Cerca de 700 ônibus levaram poloneses de várias regiões, a maioria da Cracóvia e quem não pode ir ao Vaticano assistiu a missa nas transmissões ao vivo em casa ou nos telões espalhados também naquele país. Uma multidão se concentrou na esplanada Blonie, local onde João Paulo II celebrou em 2002 uma missa para mais de 2,5 milhões de fiéis.

Ele benzeu a multidão com um sinal-da-cruz e as cortinas da janela se fecharam. Essa é a última
imagem viva que levaremos do pastor que conseguiuresgatar seu rebanho, do peregrino que cativou o coração do mundo com seus gestos de bondade, humildade e perseverança. Descansa em paz, João de Deus, nosso povo te agradece, tu vieste em missão de paz e agora o céu te recebe com o mesmo amor que a nós dedicaste
(Ana Ludvina Muller, de Joinville/SC, uma leitora da revista veja na sessão de cartas, 2005).

Aplausos emocionados de milhares de pessoas marcaram a entrada do caixão de João Paulo II na Basílica de São Pedro. Os aplausos continuaram por cerca de sete minutos.

E isso foi somente o final de sua vida terrestre…

É de se notar o comentário de Arnaldo Jabor a respeito do episódio: “Percebi que tinha de saber mais sobre mim, eu, sozinho, sem fé nenhuma, no meio deste oceano de pessoas rezando no Ocidente e Oriente. […] Emocionado, senti minha intensíssima solidão de ateu. Eu estava fora daquelas multidões imensas, eu não tinha nem a velha ideologia esfacelada, nem uma religião para crer, eu era um filho abandonado do racionalismo francês, eu era um órfão de pai e mãe. Aí, quem tremeu fui eu, com olhos cheios d’água. E vi que Karol Wojtyla, tachado superficialmente de “conservador”, tinha sido muito mais que isso. […] João Paulo cumpriu seu destino de filósofo acima do mundo, que tanto precisa de grandeza e solidariedade.
Sou ateu, sozinho, condenado a não ter fé, mas vi que se há alguma coisa de que precisamos hoje é de uma nova ética, de um pensamento transcendental, de uma espiritualidade perdida. João Paulo na verdade deu um show de bola.

Certamente estas palavras refletem o pensamento de muitas outras pessoas que,  na simplicidade de seu rosto encontram a imensidão da ideologia cristã. A própria síntese do amor…

Com a graça de Deus, muitos ainda irão aprender com os gestos deixados pelo legado do Papa João Paulo II. Um peregrino do amor:

 
Nos aconselhou a “ficarmos firmes com o Senhor”. Aqui estamos!

Em dezembro de 1983, na época de Natal, foi à prisão em Roma se encontrar com Mahmet para o perdoar e absolver. Visitou uma igreja luterana e uma sinagoga, pregou numa assembléia islâmica em Casablanca, no Marrocos. Em 1986 presidiu na Itália o primeiro encontro entre diferentes igrejas e tradições religiosas.
João Paulo II, na sua visita à Alemanha Ocidental, em 1987, fez pronunciamento em favor da reunificação. Em 1989, recebeu em audiência o secretário-geral do Partido Comunista Soviético Mikhail Gorbachev e restabeleceu as relações diplomáticas entre a Santa Sé e Moscou, em 1994 fez severas críticas ao texto da ONU que apóia o aborto e o uso de métodos artificiais de contracepção.

Sem dúvida, a melhor maneira de honrar a vida de uma pessoa que já se foi é valorizando aquilo que ela mais valorizava.
Valorizemos os valores éticos e morais mais nobres!
Digamos NÃO ao crime do aborto!
NÃO à permissividade da camisinha!
NÃO à desvalorização da dignidade humana oriunda de pesquisas com células-tronco embrionárias!
Digamos NÃO ao ato vingativo de pena de morte!

O egoísmo é o oposto do amor, tanto pregado e vivido pelo Papa João Paulo II.

Karol Józef Wojtyła (18/05/1920 – 02/04/2005)
Com saudade e profunda gratidão…

A oração do terço

Ao contrário do que muitos pensam, o terço não é uma oração repetitiva.

Trata-se da meditação dos mistérios da vida de Cristo. A cada mistério, devemos honrar e glorificar a Deus por ser capaz de maravilhas em nossas vidas. Veja:

MISTÉRIO GOZOSOS SOBRE A INFÂNCIA DE JESUS (segunda e sábado)

1º Mistério: Anunciação do anjo São Gabriel a Nossa Senhora (Lc 1, 26-38)
2º Mistério: Visita de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel (Lc 1,39-56)
3º Mistério: Nascimento de Jesus em Jesus (Lc 2,1-21)
4º Mistério: Apresentação do Menino Jesus no templo (Lc 2,22-40)
5º Mistério: Encontro de Jesus no templo entre os doutores da lei (Lc 2,41-52)

MISTÉRIOS DOLOROSOS SOBRE A PAIXÃO DE JESUS (terça e sexta-feira)

1º Mistério: Agonia morta de Jesus no horto das Oliveiras (Mt 26,36-56)
2º Mistério: Flagelação de Jesus atado à coluna(Mt 27,11-26)
3º Mistério: Coroação de espinhos de Jesus por seus algozes (Mt 27,27-31)
4º Mistério: Subida dolorosa do Calvário (Jo 19,17-24)
5º Mistério: Crucificação de Jesus (Jo 19,25-37)

MISTÉRIOS GLORIOSOS SOBRE A RESSURREIÇÃO DE JESUS E ASCENSÃO DE SUA MÃE MARIA (quarta-feira, e domingo).

1º Mistério: Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 20, 1-18)
2º Mistério: A ascensão Gloriosa de Jesus ao Céu (Lc 24, 50-53)
3º Mistério: Descida do Espírito Santo sobre os apóstolos (Ato 2,1-13)
4º Mistério: Assunção Gloriosa de Nossa Senhora ao céu (Sl 44,11-18)
5º Mistério: Coroação de Nossa Senhora no Céu(Apo 12, 1-4)

MISTÉRIOS LUMINOSOS (quinta-feira)

1º Mistério: Batismo do Senhor no Jordão (Cor 5, 21 – Mt 3, 17)
2º Mistério: Bodas de Caná (Jo 2, 1-12)
3º Mistério: A proclamação do Reino (Mc 1, 15)
4º Mistério: A Transfiguração de Jesus (Lc 9, 35)
5º Mistério: Instituição da Eucaristia (Jo 13, 1)

O “terço” assim se chama porque antes do Papa João Paulo II incluir os mistérios luminosos, tínhamos apenas 3 mistérios na oração.

A oração de todos os três mistérios chamamos Rosário.

A oração de apenas um mistério tratava-se, então, da oração de “um terço” (1/3) de “um” (1) Rosário.

Agora que temos 4 mistérios no Rosário, o terço deveria se chamar “quarto”, pois na oração de apenas um mistério, estaremos contemplando apenas um dos 4 mistérios do Rosário, “um quarto”(1/4).

Mas por questão de costume, ainda chamamos o “quarto” de “terço” mesmo.

Fora essa confusão numérica que eu devo ter acabado de criar na sua cabeça, o objetivo deste breve tópico é mostrar que:

– o terço é a contemplação da vida de Cristo;
– não é uma oração repetitiva;
– não é uma oração Mariana, é uma oração de fisionomia Mariana.

Deus te abençoe e te guarde para a vida eterna!

Descobrindo a Quaresma

Convertei-vos e credes no Evangelho!” (Mc 1,15)

Na quarta-feira de cinzas, demos início ao Tempo de Quaresma. Este tempo toma o seu lugar de quarenta dias no ano litúrgico, entre o Tempo Comum e o Tempo Pascal.

Quaresma é tempo de reflexão, de conversão, de caridade, de penitência e, claro, de oração. Momento de nos aproximarmos intimamente de Cristo, através da memória dos quarenta dias em que passou no deserto.

Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde foi tentado pelo demônio durante quarenta dias. Durante este tempo ele nada comeu e, terminados estes dias, teve fome.” (Lc 4,1-2)

Momento oportuno de abdicarmos de alguma coisa da qual gostamos e oferecermos este sacrifício a Deus. Uma prática comum entre cristãos antigamente, e de alguns ainda hoje, era o jejum de carne. Hoje, adaptada para diversos tipos de “jejum”, seja de refrigerante, de sorvete, de chocolate, de televisão, de videogame…

Sacrifícios à parte, tomemos cuidado para não deixar de lado a oração. Como escreve-nos São Lucas “Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto“.
Portanto, façamos as nossas orações invocando o Espírito Santo, para que, cheios desse Espírito, assim como Cristo, sejamos levados ao nosso deserto quaresmal e desfrutemos da graça que é passar pelos quarenta dias seguindo retamente nosso propósito (jejum, abstinência…).

É importante reparar que, São Lucas complementa dizendo “Durante este tempo ele nada comeu e, terminados estes dias, teve fome“.
Ou seja, Jesus permaneceu quarenta dias no deserto sem nada comer e não sentiu fome porque estava cheio do Espírito Santo! Apenas após terminados os dias, é que Ele sentiu fome.

Esse é o recado para nós: com a ajuda do Espírito Santo, somos capazes de superar qualquer sacrifício em nome de Deus. Através da mensagem de São Lucas podemos perceber que o sacrifício não deve se tornar sinônimo de sofrimento. Se o seu propósito for deixar de comer algo, deixe de comer algo sem precisar passar fome. Pois, caso o seu sacrifício seja deixar de comer chocolate, por exemplo, mas durante cada dia da Quaresma você passa por um sofrimento enorme porque quer comer chocolate; no final você pode até conseguir ter ficado sem comê-lo, mas sua atenção esteve o tempo todo voltada exclusivamente para o chocolate, e não para Deus. Podendo até chegar a ficar torcendo para a Quaresma acabar e poder comer chocolate do que pra celebrar a Páscoa.

Para ajudar a evitar que isso aconteça, é um convite a todos nós termos como “propósito extra” fazermos uma via-sacra, pelo menos uma vez por semana, de preferência às sextas-feiras (dia da semana em que ocorreu a Paixão de Cristo). Procure saber na sua Paróquia se existe algum roteiro por escrito (caso não exista, pesquise na internet) e, sozinho(a) siga este roteiro, no interior do templo, contemplando cada estação e fazendo suas orações.

Enfim, é meu desejo que você tenha uma boa quaresma, com a presença do Espírito Santo, a fim de se preparar para a comemoração do ápice da vida cristã: a Páscoa. E que no final, o seu sacrifício se torne louvor.

Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas se pelo Espírito, mortificardes as áreas do corpo, vivereis.” (Rm 8,13)